Um estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV) em parceria com a Croplife Brasil estima que lavouras de soja sem nenhuma proteção fitossanitária teriam queda de 55% na produtividade, divulgado no domingo (1º de novembro). A Croplife reúne empresas de defensivos agrícolas no país.
O prejuízo projetado é de R$ 223,5 bilhões por safra.
A pesquisa simulou três cenários diante de quatro doenças (entre elas a ferrugem-asiática), cinco pragas (como a mosca-branca) e nove espécies de plantas invasoras. Com proteção eficiente, o rendimento chega a 72 sacas por hectare.
Na proteção parcial, de até 40% de cobertura, a produtividade cai para 52 sacas por hectare, queda de 28%. Sem nenhuma proteção, o rendimento despenca para 32 sacas por hectare, os 55% de perda que dão nome ao estudo.
Qual o tamanho do prejuízo para o Brasil?
A perda equivaleria a 121,3 milhões de toneladas de soja. Para repor esse volume, seria preciso plantar em 33,5 milhões de hectares a mais, área do tamanho do estado de Goiás.
O efeito também aparece nas exportações: a receita projetada de US$ 44,2 bilhões, no cenário com manejo adequado, cairia para US$ 26,6 bilhões sem proteção.
São US$ 17,6 bilhões a menos a cada safra, justo quando a Conab projeta recorde nas exportações do agro para o Brasil.
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No mercado interno, o estudo projeta alta de até 0,26 ponto percentual no IPCA, com o preço da soja podendo subir até 49% ao consumidor.
O outro lado: o Brasil já lidera o uso de agrotóxicos
O estudo também reconhece o risco dos defensivos químicos. "Podem apresentar riscos à saúde humana, incluindo efeitos agudos e crônicos", afirma o levantamento, citando ainda contaminação de solo, água e impacto sobre polinizadores.
O Brasil aplica 10,9 kg de agrotóxico por hectare cultivado, quatro vezes mais que os Estados Unidos e cinco vezes mais que a China, o maior índice do mundo. Em 2023, o país usou 800 mil toneladas de defensivos, ante 180 mil em 2003.
Soja, milho e cana somam 76% desse consumo. Parte dos produtos mais vendidos no país, aliás, é proibida na União Europeia.
O que acontece agora
O estudo deve alimentar o debate sobre regulação de agrotóxicos e financiamento de defensivos no Plano Safra 2026/2027, que o governo federal lançou com R$ 622,4 bilhões em recursos para a produção agrícola.































