Em uma semana, três movimentos mostraram o preço da governabilidade no quarto mandato de Lula: Davi Alcolumbre oferece a liberdade de Bolsonaro por votos no Senado, Hugo Motta amplia a base na Câmara com o PT, e o Novo tenta cassar a própria chapa presidencial.
Nenhum dos três episódios decide isolado o jogo, mas juntos mostram como as duas maiores casas do Congresso entraram na disputa por poder que normalmente só aparece depois da posse.
A conta do Senado
No Senado, Alcolumbre soma 48 votos declarados para se reeleger presidente da Casa em fevereiro de 2027, contra os 41 necessários. Para consolidar essa vantagem, ofereceu a Bolsonaro uma saída da prisão por indulto ou anistia.
Na Câmara, Motta já tem 338 votos, 81 a mais do que precisa, e o PT entrou na base há poucos dias.
O preço de cada aliança
Nos dois casos, o apoio custa caro. Para o PL do Senado, Alcolumbre oferece a libertação de Bolsonaro, ainda que o próprio PL não tenha fechado o acordo. Para o PT da Câmara, Motta reparte cargos como a 1ª secretaria e a liderança de comissões.
Nem todo mundo aceita pagar esse preço. Rogério Marinho rejeita uma anistia que exclua Bolsonaro, e o Novo foi na direção oposta: pediu ao TSE a cassação da própria chapa de Lula, citando R$ 99,7 bilhões em medidas de governo que chama de eleitoreiras.
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"Como se não bastasse fazer uma campanha cheia de mentiras, o PT usou como nunca a máquina pública"
Em paralelo, a Lei da Dosimetria que poderia reduzir a pena de Bolsonaro segue parada. O ministro Alexandre de Moraes está há 177 dias sem decidir sobre ela, o que limita o valor político do indulto que Alcolumbre oferece.
Quanto ainda falta pagar
A pergunta que fica é até onde vai esse custo. Alcolumbre ainda não garantiu que o PL o acompanhe, e a anistia que oferece pode não sobreviver a um veto do STF.
Motta já tem os votos, mas a fatura em cargos só será paga depois da posse, em fevereiro de 2027.































