O telescópio Swift, da Nasa, encerrou operações em outubro de 2026, após quase 22 anos em órbita, e deve reentrar na atmosfera nas próximas semanas. Parte do Brasil está dentro da faixa orbital do equipamento, mas não há data, horário ou local exatos da queda.
Segundo a Nasa, o declínio orbital se acelerou com o aumento recente da atividade solar, que intensifica o arrasto atmosférico sobre satélites em órbita baixa.
Em agosto de 2026, a nave LINK, da empresa Katalyst Space, tentou capturar o Swift e elevar sua órbita numa missão comercial de resgate. Problemas de controle de orientação impediram a operação.
No dia 20 de outubro, o satélite estava a 275 quilômetros de altitude e não conseguia mais compensar o arrasto atmosférico. A equipe de operações da Penn State, que controla o telescópio para a Nasa, enviou o comando que encerrou o funcionamento do Swift.
A TV Sim Brasil já mostrava o risco crescente de queda do telescópio em matéria publicada no início de outubro.
Os números explicam por que a Nasa resistiu tanto para manter o equipamento no ar: o Swift superou em dez vezes a vida útil prevista e virou uma das principais ferramentas da astronomia mundial para captar fenômenos cósmicos de curtíssima duração.
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Por que o Brasil está na rota possível
O Brasil entra no radar porque o Swift orbita com inclinação de 20,6° em relação ao Equador, faixa que cobre parte do território nacional. Isso não significa que a queda vá acontecer aqui, só que o país está na área onde fragmentos poderiam cair.
Nenhuma fonte consultada pela reportagem cita um estado brasileiro específico como alvo mais provável. Segundo a Nasa, muitos materiais do satélite não resistem ao calor da reentrada, e os fragmentos que sobrevivem têm maior probabilidade de atingir oceanos ou regiões pouco povoadas do planeta.
É preciso separar possibilidade de previsão. O Brasil não pode ser descartado simplesmente por estar parcialmente dentro da faixa orbital do Swift, mas hoje não existe qualquer dado que permita afirmar que os destroços cairão no país.
A avaliação é do professor Marcos Calil, do Urânia Planetário. Já Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da Nasa, disse que a missão sempre teve um perfil de risco elevado.
"Desde o início, essa foi uma missão de alto risco e alta recompensa", afirmou, sobre o programa que financiou a tentativa comercial de resgate do telescópio.
A Nasa mantém outras frentes de cooperação espacial com o Brasil. Pesquisadores brasileiros ajudaram a desenvolver um sistema de inteligência artificial para um novo telescópio da agência.
Em outra parceria, a Nasa pagou recentemente a uma empresa de satélites que atua no agronegócio brasileiro, para monitorar o uso de terras raras no país.
O que acontece agora
A Nasa monitora a queda da órbita do Swift e promete atualizar a previsão à medida que a reentrada se aproximar. Até a publicação desta matéria, a agência não havia divulgado data, horário ou região estimada para a queda dos destroços.
O satélite, de cerca de 1,5 tonelada, deve se desintegrar majoritariamente durante a passagem pela atmosfera, mas a Nasa não descarta que partes mais resistentes cheguem ao solo.

































