Um estudo de Cambridge contradiz a teoria de que cometas trouxeram as moléculas que originaram a vida na Terra. A pesquisa, publicada na quarta-feira (28 de outubro) na Scientific Reports, encontrou alta chance de que essas moléculas não sobrevivessem ao impacto.
A equipe liderada por Richard Anslow simulou 100 mil vezes o período de bombardeio que a Terra primitiva sofreu há mais de 4 bilhões de anos, quando mais de 100 mil cometas com mais de 100 metros de diâmetro teriam atingido o planeta.
"Considerando o que sabemos sobre os ambientes da superfície da Terra primitiva, em média, nossas simulações constataram que não houve impactos bem-sucedidos", disse Anslow, que conduziu a pesquisa durante o doutorado no Instituto de Astronomia de Cambridge.
Segundo ele, a crença de décadas via os cometas quase como um "salvo-conduto que trazia todas as moléculas de que um planeta precisaria para semear a vida". A simulação mostrou outra coisa: "é muito improvável", resumiu.
Os cometas se aproximavam da Terra rápido demais e em ângulo muito agudo, o que destruía as frágeis moléculas orgânicas no momento do choque com a atmosfera e a superfície.
A teoria que a pesquisa contesta remonta a pelo menos 1961, e a ideia mais ampla de que os ingredientes da vida vieram do espaço, a panspermia, foi postulada ainda em 1908.
A alternativa: os asteroides
Os pesquisadores sugerem que os asteroides, que colidem com a Terra com mais frequência, podem ter sido os verdadeiros responsáveis por trazer as moléculas precursoras da vida. Outra possibilidade é que elas tenham se formado por processos na própria Terra primitiva.
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No Brasil, pesquisadores da USP já reuniram evidências minerais que confirmam o impacto de um asteroide na cratera da Colônia, em São Paulo, onde hoje vivem 40 mil pessoas.
Nem todos concordam
Nem todo cientista está convencido. César Menor Salván, que não participou do estudo, pede cautela: "é preciso ter muito cuidado com interpretações exageradas". Ele lembra que "os cometas contêm uma grande diversidade de compostos orgânicos".
A busca por respostas sobre a origem dos blocos de vida também avança fora da Terra. Em outubro, o Japão lançou uma missão para trazer amostras de Phobos, lua de Marte, que pode ajudar a entender a composição de corpos primitivos do Sistema Solar.































