O governo de Lula avalia que Donald Trump ficou isolado internacionalmente ao não reconhecer a reeleição brasileira, confirmada pelo TSE no domingo (25 de outubro) com 51,79% dos votos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Mais de 100 países já reconheceram o resultado.

O TSE registrou 64,2 milhões de votos (51,79%) para Lula contra 59,8 milhões (48,21%) para Flávio. O placar inverteu o primeiro turno, quando Flávio liderava por 47,03% a 45,16%. A abstenção ficou em 19,22%, com 128,2 milhões de eleitores às urnas.

Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27 de outubro) pela Argentina, em avião particular providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca. Nos Estados Unidos, chegou a se autodeclarar "verdadeiro presidente eleito" em carta, mas recuou horas depois.

Além dos Estados Unidos, apenas Argentina e Israel não parabenizaram Lula oficialmente até a sexta-feira (30 de outubro). O argentino Javier Milei foi o único chefe de Estado sul-americano a não reconhecer a vitória de Lula.

Do lado oposto, o chinês Xi Jinping parabenizou o petista pela reeleição em meio às críticas de Trump.

"Não há espaço para questionamentos ao pleito", afirmam auxiliares do Executivo federal, segundo o Metrópoles. A avaliação se baseia no fato de o resultado ter sido reconhecido até pelo PL, partido de oposição, e pelo TSE.

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Nos Estados Unidos, uma senadora democrata acusou Trump de proteger a fuga de Flávio.

Outro grupo de parlamentares cobrou explicações do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre o episódio.

O Planalto orientou ministros a não elevar o tom sobre o caso, tratando-o como responsabilidade da Justiça e da Polícia Federal. A aposta é manter o pragmatismo nas relações bilaterais com Washington e Buenos Aires.

Para o analista de risco político Thiago de Aragão, da consultoria Arko Internacional, o caso de Flávio é hoje "o principal caso de rodapé da política em Washington". O tema é relevante, mas não prioritário diante das midterms.

Segundo Aragão, o foco americano está no acordo sobre minerais críticos com o Brasil. Para ele, essa prioridade pesa mais que a situação de Flávio no cálculo de Trump.

A crítica mais dura parte do general Santos Cruz, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro. Ele classificou a aproximação da família com os Estados Unidos como "quase canina" e chamou as propostas de entrega de minerais de "vigarice".

O que acontece agora

O próximo marco é a eleição de meio de mandato nos Estados Unidos, na terça-feira (3 de novembro), que deve dominar a agenda em Washington. O governo brasileiro mantém a posição de aguardar esse resultado antes de qualquer mudança de postura.

Flávio Bolsonaro voltou a questionar o resultado na sexta-feira (30 de outubro).