Brasileiros nos Estados Unidos têm migrado para o apoio a Donald Trump. A preferência por ele no grupo saltou de 10% em 2016 para 35% em 2024, mostra pesquisa do Instituto Ideia com 802 brasileiros. Kamala Harris segue à frente, com 60%.
A tendência chega às vésperas das eleições de meio de mandato americanas, na terça-feira (3 de novembro). As duas Casas do Congresso podem mudar de mãos. O resultado pode travar ou destravar a agenda de Trump, inclusive o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.
Cerca de 725 mil brasileiros nascidos no Brasil vivem hoje nos Estados Unidos. Um terço deles já tem cidadania americana e pode votar; somada aos descendentes, a diáspora brasileira no país se aproxima de 950 mil pessoas.
Soma-se ao fenômeno que já fazia o voto brasileiro no exterior crescer. O apoio a Trump nesse eleitorado era de apenas 10% em 2016, subiu a 27% em 2020 e chegou a 35% em 2024.
O instituto ouviu os 802 brasileiros entre 6 e 12 de outubro de 2024, a pedido da revista Exame: Kamala Harris tinha 60%, Trump 35%, 2% escolheram outros nomes e 3% estavam indecisos.
A curva mostra mais que uma oscilação de humor eleitoral: três eleições seguidas de avanço, sem recuo, num grupo que historicamente votava democrata.
A mudança ganha um ingrediente novo com o resultado no Brasil. Lula venceu o 2º turno, no domingo (25 de outubro), por 51,79% a 48,21% dos votos contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
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Trump é aliado declarado da família Bolsonaro e transformou a relação com Brasília em tema de política externa.
A guinada não é linear. Parte dos próprios brasileiros que hoje apoiam Trump integra um dos grupos mais afetados pelo endurecimento migratório do governo dele, e identidade, memória do governo Bolsonaro e percepção de ameaça pesam tanto quanto a lista de propostas de cada partido.
O que pode pesar no resultado de terça
O peso direto da diáspora é limitado. Nenhum dos sete brasileiros candidatos nesta eleição disputa vaga no Congresso federal, apenas cargos legislativos estaduais na Flórida e em Massachusetts. Mas o eleitorado brasileiro-americano pode pesar em distritos apertados, onde cada bloco de voto conta.
Entre os postulantes está o democrata Felipe Sousa-Lazaballet, que chegou aos Estados Unidos de forma irregular aos 14 anos e disputa a Câmara da Flórida contra a republicana Bonnie Jackson. Priscila Sousa e Rita Mendes, democratas, concorrem à reeleição em Massachusetts sem adversário no distrito.
O que acontece agora
A votação das midterms começa na terça-feira (3 de novembro) e a apuração pode se estender por dias, já que cada um dos 50 estados organiza a própria contagem, sem órgão central como o Tribunal Superior Eleitoral brasileiro.
O resultado define o equilíbrio do Congresso americano até as eleições de 2028.































