O governo Lula decidiu não reagir às provocações de Trump e Milei sobre a fuga do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos após o 2º turno de domingo (25 de outubro). A estratégia mantém o pragmatismo externo até os midterms americanos, terça-feira (3 de novembro).
Lula foi reeleito com cerca de 64 milhões de votos no 2º turno. Flávio, derrotado, deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina na terça-feira (27 de outubro) e chegou a Miami, nos Estados Unidos, com a família, no dia seguinte.
A Polícia Federal já havia cancelado os passaportes comum e diplomático de Flávio. Mesmo assim, o governo americano concedeu um visto humanitário para a entrada dele no país, segundo o Poder360.
Para o Palácio do Planalto, o episódio "constrange a oposição, não o governo", segundo avaliação interna revelada pelo Poder360.
A leitura interna é que um confronto direto com Trump e Milei só ampliaria a crise, e por isso não há ligação agendada entre Lula e o presidente americano. Lula já havia pedido a Trump que não tomasse partido nas eleições brasileiras.
O republicano depois disse ter seguido o pedido.
Ainda assim, o assessor de comunicação de Trump, Jason Miller, teria ajudado a viagem de Flávio aos Estados Unidos, enquanto o assessor de Milei, Santiago Caputo, estava na fronteira argentina, segundo o mesmo levantamento.
Trump chegou a chamar a eleição brasileira de uma "desgraça", apesar de dizer ter atendido ao pedido de Lula, e só deve se posicionar de novo sobre o Brasil depois dos midterms.
O desgaste chegou também à Argentina: Milei chamou Lula de "ladrão" e "presidiário" durante a campanha e foi o único líder sul-americano que não parabenizou a reeleição.
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A relação bilateral foi rebaixada, e o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado de volta ao Brasil.
O senador pode ficar inelegível por até 8 anos depois de contestar o resultado sem provas, o que reduz seu peso político interno. Lula, enquanto isso, já articula a montagem do novo governo com o Congresso.
Por que o Brasil recusou o Escudo das Américas
O governo recusou o convite para integrar o Escudo das Américas, a aliança de segurança proposta por Trump, por considerar a iniciativa ideológica e sem um projeto regional amplo. Ainda assim, o Brasil amplia a cooperação bilateral de inteligência contra o crime organizado.
O chileno José Antonio Kast foi um dos primeiros líderes da região a telefonar para Lula depois do 2º turno. O Brasil negocia com o Chile um acordo de cooperação contra o crime organizado.
Outros presidentes vizinhos, como Rodrigo Paz, da Bolívia, Daniel Noboa, do Equador, e a peruana Keiko Fujimori, mantêm o diálogo aberto com Brasília, segundo o InfoMoney.
A China segue como prioridade: é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009. Xi Jinping telefonou para Lula na terça-feira (27 de outubro) para parabenizar a reeleição.
A cooperação entre China e Brasil se tornou "um exemplo de solidariedade e cooperação entre os países do Sul Global", disse o presidente chinês a Lula, segundo o relato da ligação.
Na agenda internacional, Lula ainda deve transferir a presidência da COP para a Turquia. Ele participa das cúpulas da Asean, em Manila, em meados de novembro, além do G20 e do Mercosul.
No plano interno, o governo promete criar o Ministério da Segurança Pública assim que o Congresso aprovar a medida, para articular as forças policiais com os estados.
A derrota eleitoral de Flávio também pesa no cálculo diplomático. A avaliação do governo é que ela reduziu a influência da família Bolsonaro junto à equipe de Trump, o que fortalece a posição de Lula nas negociações comerciais com Washington.
O que acontece agora
O próximo marco é a terça-feira (3 de novembro), quando os americanos elegem o novo Congresso. O governo brasileiro espera esse resultado para recalibrar a posição diante de Trump.
Depois, Lula segue para a cúpula da Asean, em Manila, em meados de novembro, antes de passar a presidência da COP à Turquia e participar das reuniões do G20 e do Mercosul até o fim do ano.































