A Yduqs, dona de Estácio e Ibmec, e a Afya, maior grupo de faculdades de medicina do Brasil, assinaram nesta quarta-feira (23) a fusão das duas companhias. Juntas, somam mais de R$ 9,2 bilhões em valor de mercado, segundo pessoas que acompanham as negociações.
No fim de agosto, as duas empresas já tinham confirmado que negociavam uma possível fusão, quando as ações da Yduqs chegaram a disparar mais de 10% na B3.
Meses antes, um fundo imobiliário havia comprado um imóvel em Faria Lima para o Ibmec, unidade da Yduqs.
Na combinação de negócios, a Afya se torna a acionista majoritária da nova companhia, segundo o Valor. A nova empresa passa a deter 17% do mercado de cursos de medicina, segundo o JP Morgan.

Por que as empresas se complementam
O racional do negócio é a complementariedade. Com a concorrência crescente pelo aumento de cursos de medicina no país, a Afya ganha escala operacional, e a Yduqs agrega uma rede de ponta na área da saúde ao portfólio.
A Yduqs está avaliada em R$ 2,98 bilhões, e a Afya, em US$ 1,2 bilhão (R$ 6,2 bilhões).
No 2º trimestre, a Yduqs teve lucro líquido de R$ 14 milhões, queda de 54,2% ante igual período do ano passado. Já a Afya, listada na Bolsa de Nova York, lucrou R$ 463 milhões no primeiro semestre, alta de 6,8%.
O peso da medicina no negócio
A medicina é o segmento premium do ensino superior privado. Na Idomed, unidade de medicina da Yduqs, o tíquete médio de aluno com mais de um ano de matrícula foi de R$ 13.037 no primeiro semestre, ante R$ 973 nos demais cursos presenciais do grupo.
A Yduqs soma 11,8 mil alunos em medicina, ante 380 mil no presencial. A Afya opera 38 instituições de saúde no Brasil, 32 delas com cursos de medicina.
Juntas, Afya e Yduqs se tornam uma gigante no ensino privado de medicina, com cerca de 38 mil alunos e quase 5,9 mil vagas anuais nessa área.
Avaliou Paulo Presse, coordenador de estudos de mercado da Hoper Educação.
O que acontece agora
A fusão reabre uma disputa que o Cade já travou antes: em 2016, o órgão barrou a fusão entre a então Estácio e a Kroton, hoje Cogna, num negócio de R$ 5,5 bilhões.
A fusão com a Afya ainda depende de aprovação do Cade. Em 2019, a Yduqs já havia comprado a Adtalen Brasil, dona do Ibmec, por R$ 1,92 bilhão.






























