Mediadores do Catar apresentaram ao Irã, no domingo (25), uma nova proposta para encerrar a guerra de oito meses contra Estados Unidos e Israel, mas uma autoridade iraniana classificou as ideias como inaceitáveis. Teerã deve responder até o fim desta semana.
Segundo uma autoridade a par das negociações, a minuta estabelece um cronograma de sete dias que aborda as preocupações de Teerã e de Washington, com medidas diárias de construção de confiança entre as partes.
O Catar lidera a mediação ao lado do Paquistão. O conflito prejudica o transporte marítimo global e o fornecimento de petróleo, e recentemente se estendeu também à Arábia Saudita e ao Iêmen.
Washington quer que o programa nuclear iraniano entre nas negociações desde o início. O Irã exige primeiro o fim do bloqueio dos portos iranianos e a suspensão das sanções ao petróleo, e nega que seu programa nuclear tenha fins militares.
Por que isso pressiona o bolso no Brasil
O impasse em Teerã mexe direto no preço dos combustíveis no Brasil. O petróleo Brent chegou a US$ 117 o barril na sexta-feira (23), maior preço em seis meses, com alta acumulada de 80% no ano.
O avanço reflete o nono mês de guerra no Oriente Médio. O mesmo indicador já tinha subido a US$ 112 após o ataque houthi à Aramco, na semana passada.
Publicidade
O valor começou a guerra em US$ 66, subiu a US$ 95 em março e chegou ao pico de US$ 126 em abril. Caiu para US$ 76 em junho, durante uma tentativa de cessar-fogo, e voltou a subir até os atuais US$ 117.
A Petrobras admite que não esperava a escalada: a expectativa era de queda após a alta do meio do ano.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a estatal já discute medidas para blindar o preço dos combustíveis. A Petrobras também passou a mirar a autossuficiência em diesel, ampliando a meta de 85% para 100% da demanda nacional atendida com produção própria até 2031.
O que acontece agora
A resposta do Irã é esperada até o fim desta semana, e o cronograma de sete dias poderia começar já na próxima. No Brasil, o ministro Dario Durigan afirmou que a União pode manter a subvenção ao diesel em 2027 se o barril continuar elevado.
Sem acordo, o Goldman Sachs projeta que o diesel da Petrobras pode subir até 50% no mercado interno.































