A Polícia Federal pediu ao STF a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) 7 minutos depois de o TSE confirmar a vitória de Lula (PT), no domingo (25). O ministro Alexandre de Moraes atendeu ao pedido horas depois, no mesmo dia.

A representação foi assinada às 21h16 de domingo. A derrota de Flávio havia sido confirmada pelo sistema do TSE às 21h09, sete minutos antes.

A intimação só foi cumprida na segunda-feira (26), depois que o senador visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. Lula venceu a eleição com 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio.

O pedido da PF se apoiou, entre outros pontos, na investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao INSS que mira Flávio. Também pesou a presença nos Estados Unidos do advogado Willer Tomaz, apontado como alguém com recursos para ficar fora do país.

Segundo Flávio, a decisão de Moraes se apoiou numa declaração do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Em entrevista a um programa dos Estados Unidos, onde mora, Eduardo disse:

Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza.

Flávio negou as acusações da PF em entrevista ao site O Antagonista. "Se eu ganhasse a eleição, teria esse mesmo tratamento?", questionou o senador, que afirmou não pretender deixar o Brasil e que entregaria os passaportes.

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A previsão não se confirmou: Flávio fugiu sem entregar os passaportes.

Ele cruzou a fronteira para a Argentina e seguiu para os Estados Unidos, sem cumprir o prazo dado por Moraes para a entrega dos documentos.

O que acontece agora

A fuga sem entrega dos passaportes abre caminho para um pedido de prisão preventiva contra Flávio, segundo juristas ouvidos pela imprensa. O caso segue sob análise do STF, que já havia autorizado a apreensão dos passaportes antes da fuga.