O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a alta no preço da gasolina ao dizer que o país lucra com a guerra no Irã, em comício em Corpus Christi, Texas, nesta terça-feira (27). O galão custa em média US$ 4,27, segundo a AAA.

Antes da guerra, o galão custava US$ 2,98, 43% a menos que agora. Em janeiro, quando Trump tomou posse, a média nacional era de US$ 2,81.

O diesel está em US$ 6,35, perto do recorde de US$ 6,52, registrado no fim de setembro. Os números são da AAA, citados pelo UOL.

Nosso país está ganhando uma fortuna, mais do que jamais ganhou

A frase resume o argumento de Trump no comício. Os Estados Unidos lucram com o aumento da produção de petróleo em meio à guerra.

Segundo a Bloomberg, ele prometeu que os preços caem quando o conflito terminar.

A guerra está no oitavo mês, sem data para o fim.

Desde fevereiro, Trump prometeu repetidamente que os preços cairiam. Dias antes dos ataques ao Irã, disse que a gasolina estava "abaixo de US$ 2,30" na maioria dos estados.

Em julho, previu volta aos "recordes de baixa". Em setembro, disse que os preços cairiam "logo depois da eleição". Nenhuma das promessas se confirmou até agora.

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O que isso significa para o preço no Brasil

A disparada do petróleo também pesa no Brasil. O barril do tipo Brent fechou a US$ 116,72 em 23 de outubro, maior valor desde abril, com o temor de novos ataques no Oriente Médio, segundo a CNN Brasil.

A Petrobras ainda não decidiu se repassa a alta ao consumidor brasileiro. Desde o início da guerra, o diesel da estatal ficou praticamente estável, e a gasolina subiu menos que a cotação internacional.

Segundo economistas da XP, citados pela Mixvale, o governo gasta cerca de R$ 9 bilhões por mês com subvenções a diesel e gasolina para segurar o preço na bomba.

Os números mostram o tamanho do efeito. O mesmo conflito que Trump diz lucrativo para os Estados Unidos é o que mais pressiona o orçamento que o Brasil reserva para conter o preço dos combustíveis.

O que acontece agora

A guerra no Irã segue sem data para terminar, e as eleições de meio de mandato acontecem em 3 de novembro. No Texas, o preço dos combustíveis virou tema central da disputa pelo Senado entre o republicano Ken Paxton e o democrata James Talarico.

Talarico chama a decisão de atacar o Irã de "um desastre" que elevou o custo dos combustíveis e prejudicou a posição dos Estados Unidos no mundo. Ele defende um projeto de lei para encerrar o conflito.

Paxton apoia publicamente a decisão de Trump, mas já reconheceu, em reunião fechada com doadores, que a guerra e os preços da gasolina atrapalham sua campanha.

Trump também prometeu, em setembro, retomar bombardeios ao Irã depois da eleição americana.

Enquanto o preço não cede, Trump aposta no petróleo venezuelano recém-chegado a Corpus Christi, sob controle dos EUA desde a prisão de Nicolás Maduro, para cumprir a promessa de queda nos próximos meses.