O petróleo Brent fechou nesta quinta-feira (22) em US$ 111,88 o barril, alta de 2,81%, depois que o grupo houthi atacou instalações da Saudi Aramco e o Ministério da Defesa da Arábia Saudita. É o maior preço da commodity desde 18 de maio.

A Aramco orientou funcionários a deixar a sede em Dhahran, após o ataque desta quarta (21) à infraestrutura saudita. É a primeira evacuação da sede desde a guerra com o Irã.

Autoridades sauditas não confirmaram o ataque às instalações da Aramco. Mas o porta-voz militar houthi Yahya Saree afirmou, em discurso transmitido pela TV, que o grupo atingiu a unidade da petrolífera em Yanbu e o Ministério da Defesa em Riad.

Os ataques desta quarta (21) deixaram 3 mortos: um no aeroporto civil de Dammam, onde oito pessoas ficaram feridas, e dois em um ataque de drone a um campo petrolífero saudita, segundo a Reuters.

O índice da bolsa saudita TASI caiu 2,5% na quinta-feira (22) após a notícia da evacuação. Nos Estados Unidos, o WTI fechou a US$ 99,19 o barril, alta de 2,1%, com máxima intradiária de US$ 100,07.

"Os ataques a navios no Estreito de Ormuz e os ataques houthis à infraestrutura saudita ofuscam os relatos de que as exportações de petróleo do Oriente Médio superam os níveis anteriores ao conflito", avaliou o analista Tamas Varga, da consultoria PVM Oil, em nota.

A escalada é a mais recente de uma sequência de ataques houthis à infraestrutura saudita que pressiona o petróleo desde setembro. Em 11 de outubro, um ataque ao aeroporto de Riad matou 12 pessoas e também elevou os preços.

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Os preços oscilaram ao longo da semana: o Brent já havia batido US$ 111 no último dia 20. Recuou brevemente com sinais de diálogo entre Estados Unidos e Irã, antes de voltar a subir com o novo ataque desta quarta.

O que a alta custa ao Brasil

A escalada no Oriente Médio chega ao Brasil pela subvenção aos combustíveis. Desde setembro, o governo paga R$ 2,12 por litro de diesel para conter o repasse da alta do petróleo ao preço nas bombas.

A decisão foi renovada pelo governo às vésperas do 1º turno, no fim de setembro.

Na semana de 4 a 10 de outubro, o diesel foi vendido a uma média de R$ 7,40 por litro nas bombas do país. Qualquer novo salto do Brent pressiona o espaço fiscal dessa subvenção, mantida enquanto durar a tensão no Oriente Médio.

Em setembro, a Petrobras já havia reajustado a gasolina para distribuidoras em R$ 0,63 por litro. O movimento seguiu a adesão da estatal à subvenção do diesel por Medida Provisória.

O efeito ao consumidor final foi anulado por uma redução equivalente nas alíquotas federais de PIS/Cofins sobre o combustível.

O que acontece agora

O Departamento de Estado dos EUA já retirou diplomatas da Arábia Saudita e de outras missões no Oriente Médio. É sinal de que não espera uma desescalada rápida.

Segundo a PVM Oil, a tensão na região deve seguir até as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, em novembro. A Aramco não respondeu a pedido de comentário da Reuters sobre a evacuação da sede em Dhahran.