O vice-presidente da Federação Japonesa de Futebol (JFA), Takeshi Okada, ex-técnico da seleção em duas Copas do Mundo, anunciou nesta quarta-feira (28) sua renúncia. A decisão foi motivada pelo apoio da AFC (Confederação Asiática) à reeleição do presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Na sexta-feira (23), a AFC manifestou apoio à candidatura de Infantino, que concorrerá a um quarto mandato em março de 2027. Em reunião em Tóquio, o presidente da entidade, xeque Salman bin Ebrahim al Khalifa, expressou "compromisso total" com o dirigente, presente no encontro.
A posição contrasta com a que a AFC adotava semanas antes, quando se uniu à Uefa e à Concacaf para criticar o plano de Infantino de vender fatias de competições da Fifa a investidores privados. A Suíça já havia retirado o apoio a Infantino.
Esse plano de abrir a Copa do Mundo a investidores externos acabou engavetado pela Fifa depois do boicote das confederações, mas deixou um rastro de desgaste.
Ex-técnico da seleção japonesa nas Copas de 1998 e 2010, Okada disse que as controvérsias eram incompatíveis com suas convicções pessoais. Em comunicado, afirmou:
Ao longo de toda a minha carreira, dei grande importância ao valor social do esporte, convencido de que ele deve ser praticado com integridade.
Okada não apontou diretamente o apoio da AFC a Infantino como causa da renúncia, mas reconheceu compreender as razões práticas que levaram o futebol japonês a se alinhar à posição da confederação.
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Não é o primeiro protesto na crise da Fifa
A saída de Okada não é um caso isolado. Em julho, um assessor direto de Infantino já havia deixado o cargo em protesto contra o mesmo plano de vender fatias da Copa.
Infantino também enfrenta pressão crescente por causa do caso do goleiro do Congo, outro episódio que tensionou sua relação com federações pelo mundo.
Okada não citou Infantino, mas o recado ficou claro.
O que acontece agora
O presidente da JFA, Tsuneyasu Miyamoto, disse respeitar a decisão de Okada, mas reforçou a necessidade de alinhamento com a AFC. A federação japonesa segue, assim, ao lado da maioria das confederações que apoia Infantino.
Infantino, que preside a Fifa desde 2016, pediu desculpas publicamente pelo fracasso do plano comercial e busca agora o quarto mandato, em março de 2027, sem concorrentes anunciados até o momento.































