A Polícia Civil de São Paulo voltou a prender, nesta quarta-feira (28), o vereador licenciado Senival Moura (PT), suspeito de integrar esquema de lavagem de dinheiro do PCC na empresa de ônibus Transunião. Ele estava solto desde agosto por decisão do TJ-SP.

A soltura havia sido determinada pela desembargadora Carla Rahal Benedetti, da 11ª Câmara Criminal, que entendeu que o prazo da prisão temporária deveria ser de 5 dias, não 30. O Ministério Público recorreu, e a prisão foi decretada de novo.

Além de Senival, outras seis pessoas tiveram a prisão decretada novamente pelo TJ-SP. Os mandados são cumpridos pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em ação conjunta com o Gaeco, do Ministério Público de São Paulo.

O advogado Márcio Sayeg, que defende o vereador, disse à CNN Brasil discordar da prisão: "a medida extrema não encontra fundamentação concreta suficiente para justificar a privação de sua liberdade".

Em agosto, a defesa já havia afirmado, em nota, que o inquérito tramita desde 2022 e que Senival manteve residência e endereço funcional conhecidos, exerceu publicamente o mandato e não tem registro de fuga, descumprimento de ordem judicial ou ameaça a testemunhas.

O que mostra a investigação

Segundo o Ministério Público, a Transunião integra uma rede de empresas de ônibus que o PCC teria infiltrado em São Paulo, usada para movimentar e ocultar dinheiro do tráfico de drogas.

A investigação começou após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da empresa, em 2020. Há indícios de que o capital social da Transunião, de R$ 100 mil para R$ 50 milhões entre 2015 e 2019, foi bancado com dinheiro do crime organizado.

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A empresa recebeu mais de R$ 300 milhões em recursos públicos só em 2025 para operar linhas de ônibus na capital paulista.

O caso é um dos vários que miram a suposta infiltração do PCC no transporte coletivo de São Paulo, embora envolva empresa e suspeitos diferentes.

Em junho, a Justiça já havia bloqueado R$ 194 milhões em contas dos investigados, parte de uma onda mais ampla de operações contra o crime organizado em São Paulo ao longo do ano.

Nesta quarta, foram apreendidos R$ 158.919 em espécie, dez veículos de luxo (entre eles um Porsche Macan e um BMW), cerca de 40 relógios de grife e joias, além do sequestro de 21 imóveis.

O que acontece agora

A operação desta quarta prendeu cinco pessoas; outras duas suspeitas não foram localizadas e seguem com mandado de prisão preventiva pendente. Senival é réu em ação penal pelo mesmo caso, junto com outras 20 pessoas denunciadas pelo Ministério Público em outubro.