Deputados da oposição argentina pediram a interpelação de três ministros de Javier Milei nesta quarta-feira (28) por suspeita de ajuda oficial à fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), que cruzou para a Argentina na noite de terça (27) rumo aos Estados Unidos.
O deputado Pablo Juliano, da bancada Provincias Unidas, apresentou o pedido de interpelação do chanceler Pablo Quirno, para que ele explique se o território argentino foi usado para facilitar a fuga e se houve conhecimento prévio do governo.
Outros dois pedidos miram o chefe de gabinete, Diego Santilli, e a ministra de Segurança, Alejandra Monteoliva. A travessia aconteceu dias depois de Flávio ter os passaportes retidos por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O deputado Esteban Paulón, da mesma bancada, foi além. Ele chamou Milei de "cúmplice do foragido" e disse que o episódio comprometeu o vínculo bilateral entre Argentina e Brasil.
Flávio deixou Brasília de carro na segunda (26), acompanhado da mulher, Fernanda, e duas filhas, e percorreu 1.600 km até Foz do Iguaçu (PR). O grupo cruzou a fronteira para Puerto Iguazú na noite seguinte, com escolta da Polícia de Segurança Aeroportuária até a pista.
Segundo a colunista Janaína Figueiredo, do UOL, a travessia foi acompanhada pelo estrategista-chefe de Milei, Santiago Caputo, que esteve com Flávio até o embarque em um jato Gulfstream G400, da empresa Baires Fly, com destino inicial ao Equador.
O que o governo argentino diz
O governo de Milei primeiro negou que Flávio tivesse entrado na Argentina. A Direção Nacional de Migrações informou, na terça (27), que não havia registro de entrada do senador no país. Um porta-voz do presidente também negou o caso à agência Bloomberg.
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Horas depois, porém, o mesmo governo confirmou a passagem. Segundo o jornal La Nación, as autoridades argentinas admitiram que Flávio entrou no país às 22h50 de terça e partiu de Puerto Iguazú à 0h21, com escolta policial durante toda a passagem pelo território argentino.
A contradição expõe a pressão que o caso já causa no governo argentino.
A polêmica chega em má hora para o Palácio Rosado. Milei, que é o único líder da América do Sul que ainda não reconhece a vitória de Lula, enfrenta agora pressão doméstica pelo episódio.
A chamada Lei Malvinas, projeto de defesa da soberania nacional que havia acabado de obter 60 assinaturas na comissão do Congresso, passou a dividir espaço com perguntas sobre o uso de Migrações, da PSA e dos serviços de inteligência do Estado no caso de Flávio.
O que acontece agora
Os pedidos de interpelação ainda precisam ser votados pela Câmara dos Deputados argentina para que Quirno, Santilli e Monteoliva sejam obrigados a comparecer e responder às 91 perguntas do projeto de Juliano. Nos Estados Unidos, Flávio já recebeu visto do governo americano para a família.































