O governo do Irã enviou aos Estados Unidos, neste sábado (19), uma nova leva de exigências para encerrar a guerra entre os dois países no Oriente Médio, que já dura sete meses. As condições foram repassadas por mediadores do Catar e do Paquistão.
Segundo o chefe de Segurança do Irã, Mohsen Rezaei, em entrevista à Al Jazeera, as exigências buscam destravar negociações de paz paradas desde que os EUA retomaram bombardeios contra o país, que revidou atacando bases americanas no Golfo Pérsico.
O que o Irã está pedindo?
Teerã quer três coisas: o fim da guerra em todas as frentes de batalha, a suspensão do bloqueio naval que navios de guerra dos EUA mantêm na entrada do Estreito de Ormuz, e o descongelamento de fundos iranianos bloqueados por sanções americanas.
O bloqueio naval impede a circulação de embarcações com origem ou destino em portos iranianos. O Irã, por sua vez, havia fechado o Estreito de Ormuz em março, rota por onde passa parte relevante do petróleo comercializado no mundo.
Quanto a guerra já custou?
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Israel e os EUA lançaram um ataque conjunto contra o Irã, visando autoridades, comandantes militares e instalações do país.
Para os cofres americanos, a conta já soma US$ 43,6 bilhões em sete meses, segundo estimativa do Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA, e segue crescendo cerca de US$ 3 bilhões por mês.
O efeito passa longe de ficar só nos EUA. O barril do petróleo Brent saltou de US$ 72 antes da guerra para até US$ 119 no auge do conflito, e ainda opera acima de US$ 100.
É esse petróleo mais caro que pressiona o preço do combustível vendido nos postos brasileiros, mesmo o Brasil estando longe do campo de batalha.
Do lado de dentro, o conflito também tem custo político. O Irã multiplicou execuções por acusação de espionagem durante a guerra.
A China já pressiona Teerã a conter os houthis, aliados do Irã que ameaçam outra rota marítima, para proteger o fluxo de petróleo do qual Pequim depende.
O ponto em aberto
Até a publicação desta matéria, a Casa Branca não havia respondido publicamente às condições. Não é a primeira rodada de exigências que o Irã apresenta: negociações indiretas mediadas por Omã já haviam fracassado antes do início da guerra, em fevereiro.
Nos EUA, a Câmara dos Deputados aprovou, pela terceira vez desde fevereiro, uma resolução para encerrar a participação americana no conflito, mas a medida depende do Senado, onde textos parecidos já naufragaram. O desfecho da guerra segue, por enquanto, nas mãos de Trump.






























