O diretor financeiro da Heineken, Harold van den Broek, disse nesta quarta-feira (28) que segue cauteloso com os volumes de cerveja no Brasil e no México no quarto trimestre de 2026. A cervejaria já havia apontado sinais de recuperação no terceiro trimestre.
Segundo o executivo, as condições climáticas seguem desfavoráveis ao consumo: o clima frio no Sudeste brasileiro tem sido o grande desafio para a indústria cervejeira. Também pesam a inflação e a forte volatilidade do dólar depois do resultado da eleição.
O executivo citou o novo CEO, o brasileiro Rafael Oliveira, que esteve no país recentemente:
Rafael esteve no Brasil há algumas semanas e ele basicamente disse que ainda há alguma tensão econômica no mercado do Brasil. Por isso, estou ainda um pouco conservador, talvez na projeção das Américas, porque eu acho que ainda não viramos a curva para um crescimento sustentável ainda.
Em outro trecho, foi direto: "Estou ainda cauteloso com os volumes no Brasil e no México. Espero estar errado", disse. Depois de trimestres de aperto, porém, os volumes no país voltaram a crescer no terceiro trimestre, segundo a empresa.
Os números mostram recuperação pontual, não uma virada consistente: no acumulado do ano, a região inteira ainda opera no vermelho em volume.
O executivo reforçou o compromisso com a região: "Não estamos ainda onde queremos estar nas Américas. Estamos encorajados com o progresso no terceiro trimestre. Vamos continuar a investir nessa parte da região para garantir um ano de 2027 saudável", disse van den Broek.
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A cautela do próprio diretor financeiro mostra que a recuperação do trimestre ainda não convenceu a empresa.
O brasileiro que assumiu o comando global
A cautela com o Brasil chama atenção porque quem dirige a Heineken agora é brasileiro: Rafael Oliveira, de 51 anos, assumiu como CEO global em 1º de outubro, numa estratégia inédita da cervejaria holandesa de buscar um executivo de fora de casa.
Nascido e criado no Rio de Janeiro, Oliveira é economista pela PUC-Rio, com MBA pela Universidade de Chicago. Passou dez anos no Goldman Sachs e outros dez na Kraft Heinz, onde chegou a CEO global da empresa fora dos Estados Unidos.
Antes da Heineken, comandava a JDE Peet's, holding holandesa de café e chá, onde o valor de mercado da empresa cresceu 50% em um ano sob sua gestão.
Oliveira é o terceiro brasileiro no comando de uma gigante global de bebidas: Henrique Braun assumiu a Coca-Cola no fim de março, e Michel Doukeris já comanda a AB InBev, dona de marcas como Brahma e Budweiser.
A Heineken vale 41 bilhões de euros na Bolsa, bem menos que os 131 bilhões de euros da AB InBev, concorrente direta que Oliveira agora enfrenta.
O que acontece agora
Oliveira disse que apresentará seus planos com mais detalhes em fevereiro de 2027, quando a Heineken divulga os resultados anuais. Até lá, repete que quer mais "responsabilização" e uma "cultura de desempenho mais sólida" na empresa.
A empresa também segue com metas de sustentabilidade já em andamento: reduzir em 10,3% o uso de água na produção de cerveja até 2030.































