O diesel vendido pela Petrobras pode subir em até 50% depois do 2º turno das eleições, neste domingo (25). A alta depende de o governo não renovar o subsídio extra aos importadores do combustível, previsto para durar até meados de novembro.
A projeção é do banco Goldman Sachs. Hoje, o diesel que a Petrobras vende às distribuidoras está em R$ 5,43 por litro, 21% abaixo do preço de paridade de importação, de R$ 6,89 o litro.
Essa diferença existe porque o governo criou subsídios para segurar o preço do combustível no mercado interno, mesmo com o petróleo em alta lá fora. Nas bombas, o litro do diesel custa hoje R$ 7,34.
Num cenário extremo, sem nenhum subsídio, o preço poderia chegar a R$ 9 ou R$ 10 por litro, salto de até R$ 1,80.
Por que o subsídio pode acabar
O subsídio pode acabar porque hoje ele favorece quem importa diesel, não quem o refina no Brasil. Produtores locais recebem R$ 2,12 por litro de incentivo, contra R$ 3,52 por litro para os importadores.
A diferença entre os dois, de R$ 1,40 por litro, vence em meados de novembro. Ela foi criada em 11 de outubro, quando o governo elevou o subsídio ao diesel importado para conter o repasse da alta do petróleo ao consumidor.
O Goldman Sachs não inclui o reajuste no seu cenário-base. "Assumimos que a Petrobras manterá os preços do diesel inalterados até o final do ano", afirmam os analistas do banco, em relatório.
A ressalva vem logo depois: a visibilidade sobre a renovação do incentivo aos importadores é limitada, e o banco reconhece isso no próprio texto.
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O que pressiona o petróleo lá fora
O que pressiona o petróleo lá fora são os ataques dos rebeldes houthis à infraestrutura petrolífera da Arábia Saudita. O Brent fechou nesta quinta-feira (22) a US$ 113,17 o barril, alta de 4% no dia e o maior valor em cinco meses.
A Saudi Aramco chegou a instruir funcionários a deixarem a sede em Dhahran, no Golfo Pérsico, com os combates entre os houthis e a coalizão saudita em intensificação.
Segundo a Abicom, associação dos importadores de combustíveis, a defasagem do diesel nas refinarias da Petrobras já havia chegado a 44% na véspera, com o Brent ainda em US$ 111.
"Estima-se que hoje cerca de 8 milhões de barris por dia estejam sendo escoados pelo canal", afirma Bruno Cordeiro, analista da StoneX, numa comparação com os 18 milhões de barris diários de antes do conflito.
Uma alta assim no exterior tende a chegar ao bolso de quem roda de caminhão ou de ônibus no Brasil inteiro, não só a quem importa combustível.
O que acontece agora
Agora, o próximo marco é o 2º turno, no domingo (25). Depois vem o vencimento do subsídio extra aos importadores, em meados de novembro.
O Goldman Sachs mantém, por ora, a previsão de preços estáveis até dezembro. Mas a decisão sobre renovar ou não o incentivo cabe ao governo eleito, e ainda não foi anunciada.
Não é a primeira vez que a Petrobras reajusta preços em meio à escalada do petróleo. Em 10 de setembro, a companhia já havia subido o preço da gasolina em R$ 0,63 por litro, alta de cerca de 24%.
O risco agora discutido para o diesel, de até 50%, é mais do que o dobro daquele ajuste. A mesma defasagem já motivava alerta sobre o risco de falta de diesel até 2027.
Falta menos de um mês para o prazo vencer.

































