O governo Lula vai renovar por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, que venceu nesta segunda-feira (26/10). A medida, criada por causa da guerra no Oriente Médio, vai custar R$ 10,5 bilhões aos cofres públicos.
O desconto é composto por duas parcelas: R$ 1,12 por litro, estabelecidos por medida provisória em maio, e R$ 1,00 adicional, somado em setembro diante do agravamento da crise internacional.
Sem a renovação, o benefício cairia para R$ 1,00 por litro nesta semana, segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento.
De onde vem o dinheiro e quanto já custou
A prorrogação será compensada por receitas extraordinárias de petróleo, como imposto de exportação e royalties. A Fazenda estima que essas receitas somem R$ 67,5 bilhões em 2026.
O governo mantém subsídios aos combustíveis desde abril. Até o fim de agosto, o custo acumulado já superava R$ 32 bilhões, segundo levantamento citado pela Folha.
Uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro de diesel importado vence em 6 de novembro e também pode ser renovada.
O barril do tipo Brent era negociado em torno de US$ 110 nesta segunda, pressionado pelo conflito entre rebeldes houthis e forças da Arábia Saudita. Mais de 25% do diesel consumido no Brasil é importado, o que deixa o preço interno sensível à cotação internacional.
Publicidade
Mesmo com o subsídio, a conta não fecha totalmente. Segundo estimativa da StoneX, o custo de importação do diesel era de R$ 6,76 por litro na abertura do mercado de sexta-feira (23/10).
O valor coberto pelo governo resolve só parte da defasagem nos preços da Petrobras, que chegou a R$ 3,53 por litro.
Os estoques de derivados seguem baixos nos principais polos, o que deixa pouca margem para absorver novas interrupções no fornecimento.
A avaliação é de analistas do banco Goldman Sachs, em relatório de domingo (25/10) que projeta pressão nos preços do diesel ao longo de todo o 2027, mesmo com eventual retomada dos fluxos de petróleo.
A renovação chega dois dias depois de Lula vencer o segundo turno. Antes da eleição, o próprio Goldman Sachs já havia alertado que o diesel da Petrobras poderia subir até 50% após o 2º turno.
O banco também apontava que o preço já quase batia o teto coberto pelo subsídio.
O governo já vinha ajustando o valor ao longo do ano: em outubro, elevou o subsídio ao diesel importado para R$ 3,52, depois de, em setembro, manter o desconto em R$ 2,12 às vésperas da eleição.
O ponto em aberto
O subsídio nasceu com a promessa de ser temporário, mas já dura seis meses e segue sendo renovado mês a mês. O Goldman Sachs projeta pressão nos preços até 2027.
Isso deixa em aberto até quando os cofres públicos vão sustentar o desconto, e o que acontece com o preço na bomba no dia em que a conta parar de fechar.
O que acontece agora
A subvenção renovada vale até novembro. No dia 6, vence a parcela adicional de R$ 1,40 por litro sobre o diesel importado, que também pode ser prorrogada pelo governo.































