Partidos do Centrão negociam com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), uma reforma que troca o sistema proporcional pelo voto distrital misto a partir de 2034. A proposta foi discutida nesta quarta-feira (28) em reunião na Residência Oficial da Casa.
Participaram do encontro PSB, União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Federação PSDB-Cidadania e Podemos. PL e PT, os dois maiores partidos da Câmara, não foram chamados ainda e serão procurados depois, assim como Psol e Novo.
O calendário mostra que o Centrão quer aprovar a mudança ainda nesta legislatura, mesmo que o novo sistema só valha a partir da próxima década.
Como fica a eleição em 2034
No voto distrital misto, o eleitor passa a ter dois votos: um para o candidato do distrito onde mora e outro para a lista do partido. Hoje, o eleitor escolhe só um nome ou a legenda, e as vagas seguem o quociente eleitoral.
Metade das cadeiras vai para quem vencer no distrito, por maioria simples, e a outra metade é dividida pelas listas partidárias, respeitando a proporção de votos de cada legenda no Estado.
A regra vale para deputados federais, estaduais e distritais, e também para vereadores. O Senado fica fora da mudança porque já usa o sistema majoritário, em que vence quem tem mais votos.
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Por que a pressa agora
A articulação ganhou força depois das eleições de 2026: partidos do Centrão perderam cadeiras enquanto candidatos que viralizam nas redes, como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, somaram votações na casa dos milhões.
O objetivo declarado é reduzir o peso desses "puxadores de voto" individuais. Dias antes da reunião, ministros do STF já haviam voltado a defender publicamente o voto distrital misto.
Na prática, o Centrão tenta trocar o jogo justamente depois de perder nele.
Nem todos os partidos de esquerda foram ignorados. O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que a legenda prefere o voto em lista, mas admite negociar o modelo distrital misto com o Centrão.
"O PT defende o voto em lista. Mas podemos negociar até o distrital misto", disse Edinho, que colocou um limite: "além disso, não dá, não tem acordo".
Para o cientista político Rafael Marino, pesquisador do NDD-Cebrap, o modelo não cumpriria a promessa de moderar o Congresso.
Eu acho que ele teria incentivos dentro do sistema para uma radicalização, não para uma moderação necessária.
Marino também aponta risco de mais clientelismo: deputados dependentes de entregas locais tendem a negociar mais emendas com o Executivo, dinâmica que já cresceu nos últimos anos.
O que acontece agora
A mudança precisa de PEC aprovada em 2 turnos, por 3/5 dos votos na Câmara e no Senado. Motta diz que pretende levar o texto a votação ainda em 2026, antes da posse dos eleitos em fevereiro de 2027.































