O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou passaporte italiano para entrar na Argentina pela fronteira de Foz do Iguaçu (PR), na terça-feira (27), driblando o cancelamento de seus documentos brasileiros pela Polícia Federal. De lá, ele seguiu para o Equador antes de chegar aos Estados Unidos.

Segundo registro migratório argentino, a família cruzou a fronteira para Puerto Iguazú às 22h50 de terça-feira. Às 23h30, embarcou em um avião particular rumo a Guayaquil, no Equador.
Flávio tem cidadania italiana desde 2023. O passaporte europeu permitiu a travessia mesmo depois de a PF cancelar os documentos brasileiros do senador.
Por que ele não podia sair do país
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado no domingo (25) que Flávio entregasse os passaportes à PF, por risco concreto de fuga.
Ele descumpriu o prazo, que terminava às 11h de terça-feira (27), e a PF cancelou os documentos brasileiros. Mesmo assim, ele já havia deixado o país horas antes.
A decisão foi dada no processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por suposta lavagem de dinheiro ligada a empresas de apostas esportivas. O Departamento de Estado dos EUA já havia confirmado que concederia vistos à família.
Usar um documento que o Brasil não controla tornou inútil, na prática, a ordem de retenção que tentava mantê-lo no país.
O que dizem os dois lados
O irmão Eduardo Bolsonaro negou que se trate de fuga. Segundo ele, a saída foi legítima, e chegou a comparar a situação a uma viagem espacial ao comentar o caso publicamente, em referência a Elon Musk.
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Do outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no 2º turno, disse que quem não deve não teme, numa crítica direta à decisão de Flávio de deixar o Brasil.
O vice de Flávio na chapa derrotada também se manifestou sobre o resultado da eleição, atribuindo a derrota ao que chamou de "sistema", sem citar diretamente a fuga do titular.
O que acontece agora
A investigação por lavagem de dinheiro segue sob relatoria de Moraes no STF, agora com Flávio fora do alcance imediato da Justiça brasileira. Não há, até a publicação desta reportagem, pedido formal de extradição.































