O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no Palácio da Alvorada, em 26 de outubro, para negociar governabilidade no quarto mandato, que começa em janeiro.

Lula ao lado de Hugo Motta e outras autoridades segurando documento assinado em cerimônia no Congresso
Lula ao lado de Hugo Motta em cerimônia no Congresso — Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O encontro durou cerca de duas horas. Depois dele, Motta publicou nas redes: "Diálogo, respeito institucional e compromisso com o futuro".

Por que Lula precisa negociar

A partir de 2027, o PL será a maior bancada do Congresso: 121 deputados e 29 senadores. O PT, partido de Lula, terá apenas 70 deputados e 10 senadores.

Motta e Alcolumbre apoiaram a reeleição de Lula, mesmo com seus partidos tendo ficado com Flávio Bolsonaro no 2º turno, e os dois articulam a própria recondução às presidências das Casas em fevereiro de 2027.

Além de Motta e Alcolumbre, partidos do Centrão que apoiaram Flávio, como Republicanos, PP e União Brasil, já sinalizam disposição de negociar espaço no novo governo.

Lula chega ao quarto mandato precisando do apoio parlamentar do mesmo campo político que apoiou o adversário que ele acabou de derrotar.

A condição que o governo impôs

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, abriu as portas do governo ao Centrão, mas colocou uma condição: quem ocupar ministério tem que votar com o governo no Congresso.

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"Não pode, por exemplo, o partido ter três ministérios e votar sempre contra o governo", disse Guimarães. "Pode ser independente, mas quem estiver no governo tem que votar para o governo."

Ele também disse que a participação tem que ser "efetiva", nunca "meia governabilidade", e que o governo busca alianças "com nitidez política". Lula, por sua vez, minimizou a composição desfavorável do Congresso: "Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu", afirmou o presidente.

O que acontece agora

O PT corre, ao mesmo tempo, para isolar o PL nas duas Casas, numa estratégia paralela às conversas com o Centrão. A disputa pelas presidências da Câmara e do Senado se decide em fevereiro de 2027.