O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chamou o Brasil de "um pequeno país" nesta quarta-feira (14/10), em discurso na abertura da embaixada da Colômbia em Jerusalém. Ele recordou a posse de Jair Bolsonaro, em 2019, a 11 dias do segundo turno das eleições brasileiras.

"Os primeiros lugares que visitamos, Sara e eu, foram três países: Colômbia, Argentina e México. E, aliás, um ano depois, fomos a um pequeno país chamado Brasil, para a posse do presidente Bolsonaro. Quem sabe? Talvez façamos isso novamente", declarou Netanyahu.

A cerimônia marcou a abertura da embaixada da Colômbia em Jerusalém Ocidental, a décima embaixada estrangeira na capital israelense. O chanceler israelense Gideon Saar participou, dias depois de a reação ao 1º turno brasileiro dividir opiniões em Israel.

No mesmo discurso, Netanyahu disse que algo extraordinário acontece na América Latina, citando "a grande amizade, a grande simpatia" entre os povos. A fala aposta num retorno de governos alinhados a Israel na região, dias antes da volta às urnas no Brasil.

Por que a fala ecoa na eleição brasileira

A menção à posse de Bolsonaro ganha peso porque, cinco dias antes, Netanyahu telefonou ao candidato Flávio Bolsonaro e já havia sinalizado torcida pelo avanço dele no segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para 25 de outubro.

Na ligação de 9 de outubro, o convite de Netanyahu a Flávio veio com nota em que o premiê afirmou estar "ansioso para restaurar a extraordinária amizade entre Israel e o Brasil" e desejou "melhores votos por sua grande vitória, meu amigo".

A nota, da qual também participou o irmão Eduardo Bolsonaro, identificava por engano o candidato como "Jair Bolsonaro", nome do pai, hoje inelegível por condenação na trama golpista.

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No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT).

O histórico de atrito com Lula

O entusiasmo israelense por uma vitória de Bolsonaro contrasta com anos de desgaste diplomático entre os governos de Lula e Netanyahu, agravados pela guerra em Gaza e por trocas de farpas públicas desde o início de 2024.

Em fevereiro de 2024, Israel declarou Lula persona non grata depois de ele comparar a ofensiva em Gaza ao Holocausto. Netanyahu chamou a fala de "vergonhosa e grave". Meses depois, na ONU, Lula voltou a citar Netanyahu.

O que acontece agora

O segundo turno ocorre em 25 de outubro, em meio à agenda de campanha de Flávio Bolsonaro. Se vencer, ele prometeu transferir a embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém e nomear um novo embaixador no início do mandato.

O Brasil está sem embaixador desde maio de 2024. Flávio prometeu que o país "não só terá novamente um embaixador em Israel" como "dará o passo de transferir sua embaixada" para Jerusalém em 2027. O resultado das urnas define se o país retoma essa aproximação.