O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse nesta quarta (14) que a oposição apoia o fim da escala 6x1, mas articula uma PEC alternativa de pagamento por hora, caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente em outubro.

Queremos redução da jornada de trabalho e liberdade para o trabalhador. Como o governo só quer fazer demagogia eleitoral, votamos o fim da jornada 6x1 e ano que vem aprovamos o pagamento por hora trabalhada.

Disse Sóstenes, horas antes da votação no Senado. A alternativa do PL é a chamada PEC das Horas Trabalhadas, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), hoje coordenador da campanha de Flávio.

Como funciona a alternativa do PL?

O texto permite ao trabalhador escolher entre a CLT tradicional e um regime em que a remuneração é proporcional ao tempo de serviço. Nesse modelo, é possível negociar dois dias de folga por semana, mas sem receber pelos dias não trabalhados.

A diferença central em relação à PEC em votação no Senado está no salário: o texto de hoje reduz a jornada sem cortar remuneração, e a alternativa de Marinho paga só pelas horas de fato trabalhadas.

Comparação entre as duas PECs da jornada — conferido em 14/10/2026
RegraPEC em votação (apoiada por Lula)PEC alternativa do PL (Marinho)
Jornada semanalCai de 44h para 40hLivre, por hora trabalhada
SalárioMantido, sem corteProporcional às horas
Férias, 13º, salário mínimoPreservados pela CLTSem previsão, segundo o PL
Quando entraria em vigor60 dias após promulgação, com 2ª etapa em 12 mesesSó em 2027, se pautada e aprovada

O que a proposta tira da CLT?

A proposta tira férias, 13º salário e a garantia de salário mínimo, segundo o próprio Sóstenes: "o texto não trará previsão de férias, salário mínimo ou outros direitos da CLT", disse o deputado ao Poder360.

Na Câmara, quando a PEC 6x1 foi aprovada, 81 dos 97 deputados do PL votaram a favor, 9 foram contrários e 7 não participaram — já majoritariamente favorável à redução de jornada antes da guinada pública de Flávio.

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Flávio chegou a criticar a PEC 6x1, dizendo que "a CLT é de 1943", antes de anunciar, na terça (13), que votaria a favor. Lula classificou a mudança de posição da oposição como oportunismo eleitoral, no mesmo dia.

O ponto em aberto

A PEC das Horas Trabalhadas nunca foi votada, e depende de Flávio vencer o 2º turno e o Congresso topar pautá-la em 2027. Fica a pergunta: qual redução pesa mais no fim do mês, a de salário fixo ou a de pagamento por hora.

A PEC 6x1, por sua vez, segue em votação no Senado nesta quarta, sem data nem casa legislativa definida para a alternativa do PL começar a tramitar.