O 2º turno de 25 de outubro, entre Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), vai decidir se o Brasil segue como o principal governo de esquerda da América Latina ou adere ao bloco de direita que já governa a maior parte da região.
Quatro anos atrás, em 2022, Chile, Colômbia, Argentina, Bolívia e Peru tinham presidente de esquerda ou centro-esquerda. Desde então, as urnas levaram Javier Milei à Casa Rosada e José Antonio Kast ao Palácio de La Moneda.

As urnas também encerraram quase duas décadas de governos do MAS na Bolívia. Em 2026, a guinada se aprofundou: na Colômbia, a direita derrotou o sucessor de Gustavo Petro, e no Peru, Keiko Fujimori venceu Roberto Sánchez.
Na Venezuela, o chavismo perdeu Nicolás Maduro, capturado por forças americanas em janeiro, mas segue no poder. Delcy Rodríguez comanda um governo interino supervisionado por Washington e condiciona as eleições, ainda sem data, ao fim das sanções.
Na América do Sul, o principal aliado que resta ao governo Lula é o Uruguai de Yamandú Orsi. Fora da região, há o apoio do México de Claudia Sheinbaum.
A virada à direita não resolveu os problemas econômicos que ajudaram a eleger seus líderes. Na Argentina, apesar da vitória de Javier Milei sobre o peronismo, 32,3% da população urbana estava abaixo da linha da pobreza no 1º semestre de 2026, segundo o Indec.
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São 9,7 milhões de pessoas nos 31 aglomerados pesquisados, alta de 4,1 pontos percentuais em seis meses. A indigência passou de 6,3% para 7,5%.
O dado expõe um limite: vencer a eleição com discurso de ajuste fiscal não garante resolver o problema econômico que elegeu o líder.
O FMI reforça o alerta: a inflação da América Latina deve subir para 4,2% neste ano, segundo a economista-chefe do Fundo, Silvana Tenreyro. A região deve crescer 2,3% em 2026, 0,1 ponto abaixo da estimativa de julho.
"A recomendação do fundo é manter a atenção voltada para a inflação", disse Tenreyro, em entrevista coletiva na assembleia do FMI em Bancoc.
O que acontece agora
Lula e Flávio vão a debate na quinta-feira (15), antes do 2º turno de 25 de outubro. A alternância de poder já subiu a 72% das eleições na América do Sul, a maior proporção já registrada.
Se Flávio vencer, o Brasil pode se tornar o 9º aliado de Trump na região, segundo análise da TV Sim Brasil.
O ponto em aberto
O resultado do 2º turno vai dizer qual lado do Brasil prevalece, mas não responde à pergunta que a virada argentina já expôs: ajuste fiscal e alinhamento ideológico, por si só, não garantem crescimento nem reduzem pobreza.
Com a inflação regional subindo e o FMI vendo pouco impulso da inteligência artificial na região, o desafio econômico segue o mesmo, não importa qual bloco governe.





























