O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, informou nesta quarta-feira (14) que a economia americana cresceu pouco nas últimas semanas, enquanto o petróleo mais caro acelerou a alta de preços em 4 dos 12 distritos do país, segundo o Livro Bege.

Dos 12 distritos analisados, 2 tiveram crescimento moderado, 4 ligeiro, 3 modesto e 3 ficaram com a atividade estável. O petróleo mais caro foi citado nos relatórios de todos os distritos, com diesel mais caro e repasse de sobretaxas nas cadeias de transporte.

O que mostra o Livro Bege sobre os preços?

Um terço dos 12 distritos relatou aceleração no ritmo de alta dos preços no último mês. Todas as unidades informaram algum aumento: 3 classificaram a alta como robusta, 8 como moderada e 1 como modesta.

As empresas voltadas ao consumidor relataram margens de lucro mais apertadas, porque os clientes mais sensíveis a preço resistem aos reajustes. Famílias de renda mais alta sustentaram o consumo na maior parte dos distritos, enquanto as de renda menor ficaram mais cautelosas nas compras.

Em Cleveland, 87% das organizações sem fins lucrativos ouvidas numa pesquisa semestral disseram que a situação financeira das pessoas atendidas piorou nos últimos 6 meses, o maior percentual já registrado pelo levantamento.

O que isso tem a ver com o Brasil?

O mesmo petróleo caro que pressiona os preços nos Estados Unidos já é o motivo citado para o diesel mais caro por aqui: o combustível pode até faltar no Brasil até 2027, segundo reportagem publicada nesta quarta.

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O país também sente o efeito pelo lado dos juros: os juros americanos no maior nível em 24 anos já pressionam o dólar no Brasil, e uma inflação mais persistente nos EUA tende a manter essa taxa elevada por mais tempo.

Na semana passada, o Brasil também foi diretamente afetado por uma decisão ligada ao petróleo: Trump liberou a compra de diesel russo, e o Brasil, maior comprador do produto, pode pagar mais caro por ele.

O ponto em aberto

O Livro Bege não diz se o Fed vai subir juros, nem até quando o petróleo deve seguir pressionando. A mesma commodity que aperta as margens das empresas americanas ameaça faltar no Brasil até 2027, ligando os dois países ao mesmo risco.