Arqueólogos encontraram o naufrágio mais antigo do mundo na costa da Turquia, perto da ilha de Kekova. A embarcação afundou entre 4.400 e 4.700 anos atrás, no início da Idade do Bronze, época em que a Grande Pirâmide do Egito estava sendo construída.

Fileira de ânforas antigas de cerâmica, usadas para transporte marítimo
Ânforas antigas de cerâmica (imagem ilustrativa, Pompeia). Foto: Commonists/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A madeira do casco não resistiu ao tempo. O que restou, a 30 metros de profundidade, foram 3 âncoras de pedra e mais de 30 ânforas de cerâmica usadas para guardar carga. A expedição foi liderada pelo professor Hakan Öniz, da Universidade Akdeniz, na Turquia.

"O naufrágio é uma cápsula do tempo no fundo do mar", disse Öniz, que também comanda a Associação de Arqueologia do Mediterrâneo.

Como os pesquisadores calcularam a idade do navio?

Sem madeira preservada, a datação por radiocarbono não era possível. A equipe analisou o formato das ânforas: duas alças, uma saliência no meio e base plana.

O desenho bate com peças já identificadas perto das pirâmides de Gizé, no Egito, com idade confirmada entre 4.400 e 4.700 anos.

"Comparando as técnicas de decoração, podemos afirmar com certeza que nosso naufrágio é do início da Idade do Bronze. Isso é 100% certo", afirmou Öniz. A arqueóloga australiana Karin Sowada, da Universidade Macquarie, foi chamada para examinar as peças depois de recuperadas.

Pelo menos uma ânfora ainda guardava resíduo do que carregava, cinco mil anos depois de afundar. "Olhei para dentro e quase desmaiei. Não conseguia acreditar na quantidade de resíduos visíveis", contou Sowada.

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A maioria dos potes provavelmente transportava azeite ou vinho. Uma ânfora, porém, tem dois orifícios e marcas diferentes das demais — o que sugere que servia para fazer queijo ou manteiga, e que os marinheiros levavam cabras a bordo para produzir laticínios durante a viagem.

O que acontece agora

O naufrágio havia sido descoberto há 4 anos, mas só agora os pesquisadores têm confiança na datação. O achado foi confirmado em comunicado do Ministério da Cultura e Turismo da Turquia, comandado por Mehmet Nuri Ersoy.

As ânforas recuperadas passam agora por um processo de conservação, depois de milhares de anos submersas.