A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou nesta quarta-feira (14) uma denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA) contra big techs, principalmente a Meta, por suposta interferência no 2º turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.

O anúncio foi feito pelo líder do PT no Senado e porta-voz da campanha, Camilo Santana (PT-CE), no comitê de campanha no Lago Sul, em Brasília. Segundo ele, a campanha também vai apresentar representação à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

A denúncia também será levada a outros organismos internacionais, porque as big techs atuam em escala global. "Nós não podemos admitir essa interferência que está ocorrendo aqui nas big techs, principalmente na Meta, nessas eleições", disse Santana.

Antes do anúncio, a campanha se reuniu nesta quarta com representantes de partidos e entidades de defesa da democracia de mais de 12 países, entre eles Estados Unidos, Reino Unido, Argentina, Colômbia, Chile e Espanha.

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O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que o objetivo é fazer a denúncia repercutir em parlamentos e na imprensa dessas nações.

A campanha também cita episódios envolvendo o Grok, a IA do X, mas avalia que o alcance é mínimo e mantém o foco na Meta.

O que a Meta respondeu ao TSE?

A Meta nega favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL) e classificou as acusações como infundadas. A denúncia à OEA é novo capítulo de disputa que já chegou à recusa da IA da Meta em gerar imagens de Lula, liberando as de Flávio.

Em decisão de 10 de outubro, o ministro Marco Aurélio Bellizze deu 48 horas para a Meta explicar a chamada "seletividade algorítmica" contra posts de Lula, incluindo exclusões de recomendação, bloqueio geográfico e perfis falsos de IA ligados à campanha.

"Os fatos narrados ocorrem em ambiente que somente a representada controla: os sistemas de distribuição de conteúdos na rede", escreveu o ministro.

Em resposta formal, a Meta afirmou que a alegação de favorecimento "é falsa, não está demonstrada e não resiste ao confronto com os fatos". A empresa disse cumprir as normas eleitorais.

A Meta reconheceu um incidente técnico de alcance global que bloqueou a contabilização de visualizações entre 1h50 e 19h49 do dia 7 de outubro, sem direcionamento político.

Camilo Santana rebate a versão da empresa. "A Meta não consegue nos provar que isso é fruto do acaso, porque, novamente, as páginas ligadas ao nosso adversário não sofrem os mesmos problemas técnicos que a nossa campanha", afirmou o coordenador.

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O marqueteiro da campanha, Sidônio Palmeira, ligou a suspeita de interferência aos Estados Unidos e citou o Brexit como precedente. "Estão objetivamente interferindo nas eleições dos brasileiros", disse, sem apresentar provas da ligação direta.

O que acontece agora

A campanha de Lula soma mais de 90 ações no TSE envolvendo redes sociais nesta eleição. Nesta quinta-feira (15), representantes têm reunião marcada com observadores internacionais credenciados pelo TSE para apresentar um relatório com os indícios de irregularidade.

A própria OEA já havia alertado sobre o risco de desinformação na eleição brasileira em observação anterior, antes mesmo da denúncia formal apresentada pela campanha nesta quarta.