A Ucrânia acusou a SpaceX, de Elon Musk, de restringir o uso "grau militar" do Starlink, afetando ataques com drones e a defesa aérea do país. A denúncia reacendeu a dúvida sobre a diferença entre Starlink e Starshield, a versão militar do sistema.

Elon Musk, fundador da SpaceX
Elon Musk, fundador da SpaceX, dona do Starlink e da Starshield. Foto: David Shankbone/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Os dois sistemas compartilham a mesma tecnologia de satélites, mas têm donos diferentes. O Starlink pertence à SpaceX e atende civis; a Starshield pertence ao governo dos Estados Unidos e atende o Pentágono, com criptografia reforçada e terminais próprios.

"Os sistemas Starshield são de propriedade do governo dos EUA", escreveu Musk no X. Segundo ele, limites de uso ou velocidade são decididos pelos militares americanos e, "em última instância", pelo presidente dos Estados Unidos.

Por que isso afeta a guerra na Ucrânia?

A Starlink é usada pela Ucrânia desde 2022 para manter comunicações no campo de batalha e guiar drones. Segundo o 7º Corpo de Reação Rápida ucraniano, a conexão chegou a cair por 10 a 20 segundos durante voos a 110 a 120 km/h.

A instabilidade atrapalhava o controle dos drones, que continuavam em movimento mesmo sem conexão.

O conselheiro presidencial ucraniano Serhiy Beskrestnov disse que não houve aviso prévio: "Nossas forças de defesa não receberam nenhum aviso prévio sobre essa restrição, e isso levou à interrupção de diversas missões."

Ele sugeriu relação com a pressão dos EUA para que a Ucrânia pare de atacar refinarias russas.

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Trump negou, um dia antes, que os EUA tivessem suspendido o compartilhamento de inteligência com Kiev.

A Starlink é só parte da dependência ucraniana de Musk: uma reportagem publicada na semana passada já mostrava como o controle da tecnologia passa mais pelo empresário do que pelo governo americano.

A Starshield nasceu para reduzir essa ambiguidade. O Pentágono fechou com a SpaceX um contrato de US$ 2,29 bilhões por satélites militares, criando uma rede sob controle direto do governo americano, ao menos no papel.

O ponto em aberto

A Starlink opera mais de 11.000 satélites e atende cerca de 13 milhões de assinantes no mundo, de acordo com a SpaceX. Nenhum outro sistema comercial de internet via satélite chega perto dessa escala.

Isso deixa um país em guerra, e até os militares de uma grande potência, dependentes de uma única empresa para decidir, em tempo real, o que é "uso apropriado".