A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (14), o uso do medicamento Gazyva (obinutuzumabe) para tratar lúpus. A indicação vale para pacientes adultos com a doença em grau moderado a grave, que não respondem bem ao tratamento padrão.

Laboratório de pesquisa com bancadas e equipamentos
Laboratório de pesquisa (imagem ilustrativa). Foto: Universidad Europea del Atlántico/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O obinutuzumabe é um anticorpo monoclonal humanizado, já usado em alguns casos de câncer antes desta aprovação. No lúpus, ele promove "eliminação massiva e prolongada dos linfócitos B", as células do sistema imunológico com papel central no desenvolvimento da doença, segundo a Anvisa.

Quem pode usar o novo remédio?

A indicação é para pacientes com autoanticorpos positivos, já em tratamento padrão, mas que seguem com a doença ativa. A Anvisa destaca que uma parcela significativa desses pacientes permanece em estágio ativo constante, mesmo com a medicação convencional.

Entre os benefícios citados pela Anvisa estão a redução da atividade da doença, menos crises e a possibilidade de usar menos corticosteroide, remédio que, em uso prolongado, traz efeitos colaterais como ganho de peso e enfraquecimento ósseo.

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune crônica. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Reumatologia estima entre 150 mil e 300 mil pessoas com a condição, mais comum em mulheres negras de 20 a 45 anos.

Outras frentes de pesquisa também avançam no país. O Instituto Butantan firmou parceria para testar terapias celulares CAR-T contra lúpus e miastenia.

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O que acontece agora

A aprovação da Anvisa libera a comercialização do Gazyva para esta indicação no Brasil, mas não define prazo para disponibilização pelo SUS.

A mesma agência já havia liberado, em julho, o uso do Enhertu para câncer de mama HER2-positivo e, em maio, o Vyalev para Parkinson avançado.