Toda a cidade de São Paulo entrou em estado de atenção para alagamentos às 15h25 desta quarta-feira (14), segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE). A Defesa Civil emitiu alerta severo e recomendou que a população buscasse abrigo.

Segundo o CGE, a combinação de calor e brisa marítima gerou chuva de até forte intensidade, com risco de granizo entre Pirituba e Jaraguá, na zona norte, e Lapa e Pinheiros, na zona oeste.

Até o momento da apuração, a CNN informava não haver pontos de alagamento ativos confirmados. O temporal ocorre na mesma semana em que seis estados do país entraram em alerta para temporais e ventos de até 100 km/h.

É a primeira vez que isso acontece?

Não é a primeira vez: a cidade já tinha entrado no mesmo estado de atenção há poucos dias. É pelo menos o segundo episódio em menos de uma semana, mesmo com obras de controle de cheias em andamento.

A previsão não ajuda: segundo o CGE, o tempo segue instável na quinta (15), e uma frente fria deve trazer mais chuva à capital na sexta (16), com risco de alagamento em áreas de risco por causa do solo já encharcado.

Quanto SP investe para evitar isso?

SP investe centenas de milhões de reais em infraestrutura contra enchentes. A Prefeitura tem 8 piscinões em construção e entregou outros 6 nos últimos 4 anos, somando 853 mil m³ de capacidade de retenção de água, segundo dados oficiais da gestão municipal.

Entre as obras previstas para este ano estão o piscinão Antonico, no Morumbi (R$ 273,8 milhões), o Carumbé, na Brasilândia (R$ 56,2 milhões), e o do Córrego da Mooca, na Vila Prudente (R$ 166,6 milhões).

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Uma parceria entre prefeitura e governo estadual, de R$ 335 milhões, deve reter até 173 milhões de litros de água e beneficiar 87 mil moradores. São moradores que hoje convivem com o risco de alagamento repetido, mesmo com a obra prometida.

O Governo de SP, pelo braço estadual SP Águas, também investiu R$ 43,7 milhões só na manutenção de 27 piscinões na Grande São Paulo neste ano, em limpeza, desassoreamento e segurança das estruturas já existentes.

O episódio desta quarta não é isolado no ano: em julho, uma ventania com rajadas de até 124 km/h matou três pessoas e derrubou 18 árvores na capital.

O ponto em aberto

As obras de piscinões, quando prontas, aumentam a capacidade de retenção da cidade, mas não eliminam o risco: parte delas ainda está em construção.

O solo urbano de São Paulo segue sendo impermeabilizado num ritmo que a rede de drenagem não acompanha. A pergunta que fica é quantos novos "estados de atenção" a capital ainda vai enfrentar até as obras em andamento entrarem de fato em operação.