O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou nesta terça-feira (22), na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, de "genocídio" a ação do premiê israelense Benjamin Netanyahu na Faixa de Gaza. Ele foi o único líder citado nominalmente pelo presidente.

Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma.

O trauma, segundo Lula, foi provocado pelo que classificou como genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza.

Na sequência do discurso, o presidente também condenou os ataques do Hamas a civis israelenses. "Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas", disse Lula, segundo o Poder360.

Lula criticou ainda os assentamentos israelenses na Cisjordânia, que classificou como responsáveis por tornar "cada vez menos viável" a solução de dois Estados, que considera indispensável para que israelenses e palestinos vivam em segurança.

No mesmo discurso, em que defendeu a soberania do Brasil diante de pressões externas, Lula questionou a plateia: "Somos chamados a optar entre o multilateralismo e o unilateralismo. Soberania ou subordinação?"

Não é a primeira vez que o presidente brasileiro cobra Netanyahu diretamente. Em agosto, a Turquia pediu à Interpol a prisão do premiê israelense por um caso que envolveu uma flotilha com brasileiros a caminho de Gaza.

Janja usa bordado palestino pela 3ª vez

Janja Lula da Silva usou, pela 3ª vez consecutiva, um casaco com bordado palestino Tatreez na abertura da Assembleia Geral. A peça foi presenteada pela embaixada da Palestina no Brasil e já é repetida havia 2 anos.

"Visto o tradicional bordado palestino Tatreez, como símbolo da força, da memória e da resistência das mulheres palestinas", escreveu a primeira-dama em publicação no Instagram.

Janja também citou estimativa da ONU Mulheres segundo a qual mais de 38.000 mulheres e meninas foram mortas em Gaza entre outubro de 2023 e dezembro de 2025. "Hoje, visto essa história para lembrar que não existe paz enquanto vidas inocentes continuarem sendo perdidas", escreveu.

O gesto da primeira-dama reforça o alinhamento público do governo brasileiro à causa palestina, a mesma posição que Lula levou ao plenário da ONU no mesmo dia.

O que acontece agora

Trump discursa na sequência, ainda na sessão de abertura da Assembleia Geral. Ele deve defender as operações militares dos Estados Unidos contra o Irã e enfrenta pressão doméstica com o avanço dos preços de combustível, tema que também marcou o discurso de Lula.