O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deve receber na terça-feira (13) relatórios da Polícia Federal com menções a integrantes da Corte no caso Master. Fachin pediu o material ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao confirmar reunião solicitada pelo delegado.

Em um ofício considerado um gesto raro no tribunal, Fachin afirmou que o levantamento deveria abranger todos os fatos e nomes envolvidos.

"Nenhum fato nem ninguém deve ficar fora da apuração", escreveu o ministro, no ofício que pediu o material à PF.

Dos 10 ministros do STF, há citações, em graus diferentes, de pelo menos 6 deles ou de parentes, além de referências a ministros do STJ e do TST. Nas últimas semanas, a PF trabalhou na individualização de cada citação, segundo o g1.

As menções, até aqui, não equivalem a acusação formal contra nenhum ministro, distinção que a própria cobertura do caso já tratou, como mostrou a análise sobre o que é prova e o que é alegação no caso.

A movimentação da PF tem potencial para aprofundar a crise instalada no Supremo desde setembro, pressionando Fachin a adotar providências em relação aos colegas.

Até agora, o foco estava em Alexandre de Moraes e André Mendonça, que diante das costuras internas expuseram publicamente a divisão da Corte.

Publicidade

A ala de Moraes defende que não haja avanços antes do fim das eleições. Nos bastidores, porém, aliados de Moraes e de Mendonça avaliam que o melhor caminho seria enviar os elementos da PF para análise da Procuradoria-Geral da República.

A ideia é fazer isso sem vincular a medida ao procurador-geral, Paulo Gonet, que também foi citado no caso e teve pedido de apuração rejeitado por 5 votos a 4 pelo Conselho Superior do Ministério Público.

O encaminhamento à PGR, avaliam esses ministros, daria respaldo ao Supremo para decidir com base em análise técnica. Também abriria tempo para novas tentativas de composição interna, hoje apontada como de difícil solução.

Ministros apontam alguma melhora no clima entre as alas após o 1º turno das eleições. Mendonça e Moraes, porém, ainda não se falam, assim como Gilmar Mendes e Nunes Marques.

O que acontece agora

Fachin recebe os relatórios da PF nesta terça-feira (13). A partir daí, cabe a ele decidir os próximos passos em relação aos colegas citados. Entre as opções está encaminhar o material à PGR, caminho defendido nos bastidores por aliados de Moraes e Mendonça.