A polícia da Índia prendeu neste sábado (10) o fundador do movimento jovem "Barata", Abhijeet Dipke, antes de um protesto contra o chefe da comissão eleitoral do país. O grupo nasceu de um insulto e já pressiona Modi como nunca em 12 anos de governo.
Dipke e os líderes Saurav Das e Ashutosh Ranka foram detidos ao desembarcarem de um voo de Mumbai para Nova Délhi, onde o protesto era esperado em Jantar Mantar, área tradicional de manifestações.
As autoridades fecharam 45 estações de metrô, suspenderam a internet móvel no distrito comercial e posicionaram veículos com gás lacrimogêneo pela cidade de 20 milhões de habitantes.
De onde veio o nome 'Barata'
O nome do movimento nasceu de um insulto. Em maio, o presidente da Suprema Corte indiana, Surya Kant, comparou jovens desempregados a "baratas" durante uma audiência, dizendo que "começam a atacar todo mundo" quando não encontram emprego.
Abhijeet Dipke, estrategista de comunicação política, criou no dia seguinte um partido satírico online em resposta à fala, em paródia ao partido governista BJP.
A ironia pegou: em uma semana, a conta ganhou 15 milhões de seguidores no Instagram, e o governo bloqueou o perfil do grupo no X.
Como a 'Barata' derrubou um ministro
O movimento cresceu em cima da indignação com vazamentos de provas e fraudes em exames públicos, tema que já havia levado a Índia a suspender o acesso ao Telegram por fraude em exame de medicina, em junho.
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Em 20 de julho, uma marcha até o Parlamento reuniu entre 10 mil e 50 mil manifestantes, com 178 feridos. Cinco dias depois, o ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, renunciou, numa vitória que consolidou o movimento como força política.
Desde setembro, o alvo mudou para a comissão eleitoral: o jornal Indian Express revelou que os dois adjuntos do comissário Gyanesh Kumar levantaram preocupações formais pelo menos 14 vezes em dez meses sobre a revisão das listas de eleitores.
A oposição diz que a revisão favorece o partido de Modi. A comissão nega.
O ponto em aberto
A Índia não é o único país onde uma geração mais jovem usa as redes para pressionar governos entre uma eleição e outra. Em paralelo, a França viu até 450 mil pessoas nas ruas em outubro.
O que ainda não se sabe é se a mobilização muda a revisão das listas de eleitores antes da próxima votação na Índia.
No Brasil, a disputa sobre integridade eleitoral segue outro caminho: um levantamento mostra que a urna eletrônica nunca teve fraude comprovada em 30 anos. Na Índia, o questionamento recai sobre as listas de eleitores, não sobre a urna.





























