O presidente do STF, Edson Fachin, enviou nesta sexta-feira (2) ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prometendo apurar qualquer fato envolvendo ministros da Corte no caso Banco Master. "Serão dados os encaminhamentos devidos", escreveu, quando o tribunal receber as informações "sem exceção de pessoa".
É incomum que um presidente do STF se comprometa, por escrito e publicamente, a tratar colegas de tribunal como qualquer outro investigado. O gesto ocorre enquanto o Supremo tenta administrar os efeitos de uma crise que já mudou sua rotina de julgamentos.
O que motivou o ofício
O gatilho foi a divulgação de mensagens do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master antes da liquidação.
Segundo a Revista Oeste, o material cita ao menos sete ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça e Gilmar Mendes.
Outras mensagens, atribuídas ao ex-diretor jurídico do Master em conversa com Vorcaro, citam pagamento de R$ 500 mil por mês a um filho de um dos ministros. Não há, até esta reportagem, conclusão de ilícito: são menções em mensagens apreendidas, ainda sob apuração.
A tensão no tribunal, que já tinha Fachin como relator do processo sobre Moraes e Vorcaro, escalou em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF com esses registros.
No mesmo dia do ofício, Fachin também criou um filtro para impedir que pedidos de terceiros cheguem direto a relatores específicos, driblando a distribuição regular dos processos.
O tamanho do banco por trás da crise
A dimensão do caso ajuda a explicar por que as menções pesam tanto. O patrimônio líquido do Master saltou de R$ 200 milhões em 2019 para R$ 4,7 bilhões em 2024.
No mesmo período, a carteira de crédito do banco cresceu de R$ 1,4 bilhão para R$ 40 bilhões.
Quando o BC decretou a liquidação extrajudicial, em 18 de novembro de 2025, a dívida estimada ao Fundo Garantidor de Créditos chegava a R$ 52 bilhões. No mesmo dia, a PF prendeu Vorcaro na Operação Compliance Zero, que apura fraude e lavagem de dinheiro.
Segundo o Valor, a própria Polícia Federal está em dúvida sobre como proceder diante da exposição dos nomes de ministros, já que Fachin centralizou os processos dos casos Master e INSS sob sua relatoria.
O ponto em aberto
A crise já mudou a rotina do tribunal. Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos de participar de um julgamento que poderia abrir investigação contra Alexandre de Moraes, por também aparecerem citados no material de Vorcaro.
É a primeira vez, nesta crise que já levou Fachin a convocar o plenário para julgar o caso em setembro, que colegas se afastam de um processo por estarem na mesma lista de menções que o investigado.
O ofício promete tratamento igual para qualquer ministro citado, mas não define prazo para o relatório único chegar à mesa de Fachin. Até lá, fica a pergunta: a Corte consegue julgar o próprio colega quando os possíveis investigados dividem o mesmo plenário?


































