O presidente Lula disse, em entrevista ao Flow Podcast nesta quinta-feira (1º), que "tudo que Jaques Wagner quer é ser chamado para prestar depoimento" sobre o Caso Master. O senador baiano é um dos quatro políticos investigados na Operação Compliance Zero — e, no caso dele, a acusação está numa delação que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram por falta de provas.

Em nota, a defesa de Wagner chamou as declarações de "falsas e oportunistas, criadas para interferir nas eleições" e negou qualquer relação com a PKL One ou com o banqueiro Daniel Vorcaro. Wagner não foi condenado por nenhum dos fatos descritos abaixo.

A acusação partiu de Vorcaro, banqueiro à frente do Banco Master, em acordo de delação. Segundo ele, um grupo ligado a Wagner recebeu R$ 3 milhões por mês, repartidos entre contratos com a PKL One e pagamentos em espécie.

O que é prova e o que é alegação

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram o acordo de delação de Vorcaro por falta de provas que sustentassem suas alegações. Documentos confirmam o contrato entre o Master e a PKL One, mas não citam Wagner como beneficiário.

A Polícia Federal também aponta 74 ligações entre Wagner e um ex-sócio de Vorcaro e diz ver nelas indício de vantagem indevida — leitura da investigação, não fato julgado. Wagner recusou entregar as senhas do celular à PF, o que é direito de qualquer investigado e não pode ser tomado como prova contra ele.

Seguem sob apuração outros dois elementos: um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador e repasses de R$ 3,5 milhões a uma empresa ligada ao enteado do senador. Nenhum dos dois foi, até aqui, declarado ilícito por decisão judicial.

Wagner não está sozinho na teia do Master, que é majoritariamente de centrão e direita, segundo pesquisa Datafolha contratada pela Globo e pela Folha de S.Paulo, registrada no TSE sob o número BR-04029/2026.

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A Compliance Zero também mira o senador Ciro Nogueira (PP-PI), apontado pela PF como destinatário central das vantagens indevidas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL).

A maior parte da rede investigada é de centrão e direita; Wagner é a exceção partidária nesse grupo.

O ponto em aberto

A investigação avançou por fases sucessivas desde novembro de 2025 e atravessa três partidos diferentes, do PT ao PL. Falta decidir, nesse caso, o que é prova e o que é alegação sem lastro documental.