As tarifas que o governo dos Estados Unidos aplicou às exportações brasileiras desde julho já derrubam a receita das empresas. Entre janeiro e agosto, as vendas de calçados ao exterior caíram 16,8%, para US$ 541,45 milhões, pior resultado desde a pandemia, segundo a Abicalçados.
As duas rodadas de tarifas somam sobretaxas de 12,5% a 25% sobre diferentes grupos de produtos brasileiros, anunciadas pelos Estados Unidos em julho.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas alcançam juntas 23,1% das exportações brasileiras aos EUA, quase um quarto de tudo que o país vende aos americanos. Desse total, 16,5% estão sujeitos à sobretaxa acumulada de 37,5%.
Café, carne bovina, frutas e minério de ferro ficaram de fora da cobrança.
Aço, açúcar, etanol e calçados estão entre os setores mais expostos à nova taxação americana.
Como o calçado já sente o efeito
O setor calçadista é um dos mais atingidos. Entre janeiro e agosto, as exportações caíram 7,5% em volume e 16,8% em receita, para US$ 541,45 milhões, o pior resultado para o período desde a pandemia, segundo a Abicalçados.
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Em agosto, foram embarcados 7,13 milhões de pares por US$ 70,8 milhões, queda de 6,6% em volume e 8,1% em receita. Os EUA, que sobretaxam o calçado em 25% desde julho, compraram 7,38 milhões de pares até agosto, por US$ 120,5 milhões.
A Abicalçados revisou a previsão de queda nas exportações de calçados em 2026, de 3,6% para 7,1%, depois que a tarifa de 25% entrou em vigor.
A entidade diz que a sobretaxa reduz a competitividade do setor num mercado que consome mais de 2 bilhões de pares por ano e produz só 20 milhões internamente, 1% da demanda.
A avaliação da Abicalçados é que o aumento tende a concentrar as compras americanas entre fornecedores asiáticos, em vez de diversificar as origens.
Nos EUA, as tarifas já aparecem na inflação ao consumidor. Um estudo do Federal Reserve de Nova York mostra que elas somaram 2,9 pontos percentuais à inflação de bens até fevereiro. Cerca de 90% do custo foi repassado de imediato aos preços de importação.
No curto prazo, o efeito não aparece na etiqueta dos produtos no Brasil, mas na atividade das empresas e no emprego, avaliam economistas e representantes do setor.
O que acontece agora
O governo brasileiro negocia uma saída para o tarifaço desde agosto. Em setembro, as duas equipes voltaram a se reunir à margem do G20, mas o impasse sobre os 37,5% segue sem solução.
O presidente Lula disse, no início de outubro, que pode aplicar a Lei da Reciprocidade contra os EUA se a negociação não avançar. Enquanto isso, a Engemasa e a mineira Utilinox já perderam o mercado americano por causa da sobretaxa.





























