Os cortes de verba impostos pelo governo Trump levaram a ONU à pior crise financeira de sua história, e o impacto já chega ao Brasil: o ACNUR, agência da ONU para refugiados, teve corte de 50% no orçamento para atender venezuelanos em Roraima.

O orçamento regular da ONU para 2026 caiu 15% em relação a 2025, para US$ 3,45 bilhões. O corte derrubou o quadro de pessoal em 19% no mundo todo: 2.900 cargos foram extintos, e outros 1.000 funcionários dispensados.

Por que os EUA cortaram o dinheiro

Os Estados Unidos são o maior financiador da ONU, responsáveis por 22% do orçamento regular e mais de 26% das missões de paz. O governo Trump retirou o país da Organização Mundial da Saúde, da Unesco e do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Trump também bloqueou verbas para refugiados palestinos e condiciona novos pagamentos a "reformas profundas", acusando a ONU de ser burocrática e ideológica. O secretário-geral António Guterres chamou a situação de "uma corrida rumo à falência".

O efeito em Roraima

No Brasil, o ACNUR perdeu US$ 2,62 milhões do orçamento para refugiados, um corte de 50%. Até março, 54 postos de trabalho foram eliminados em Roraima, no Amazonas e no Pará.

Cerca de 2 mil refugiados ficaram sem apoio para se mudar para outras cidades do país (a chamada interiorização), e 4 mil perderam assistência direta para alimentação e moradia.

Até agosto, a operação do ACNUR no Brasil havia recebido só 22% dos recursos necessários para o ano, enquanto centenas de pessoas seguem chegando todo dia pela fronteira com a Venezuela.

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O ponto em aberto

O Brasil já levou o choque entre Brasília e Washington para dentro da própria ONU. Em setembro, Lula interrompeu a campanha para discursar na Assembleia Geral e rebater as sanções dos EUA.

No mesmo mês, Trump preparava sanções que cortam dólares de outro organismo internacional, o Tribunal Penal Internacional.

O que ainda não está claro é se o corte em Roraima é passageiro, amarrado à queda de braço entre Washington e a ONU, ou se virou o novo normal para quem depende da ajuda humanitária na fronteira norte do país.