O Brasil e os Estados Unidos seguem negociando uma saída para o tarifaço imposto por Washington a produtos brasileiros. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse nesta semana que o diálogo está ativo e positivo após reuniões no G20.

Segundo o ministro, as conversas são estritamente comerciais e não têm relação com a eleição presidencial.

"Nós estamos discutindo comércio exterior. É compra e venda de bens e serviços, e ponto final", afirmou Márcio Elias Rosa.

O Brasil espera receber dos Estados Unidos um termo de referência em três a quatro semanas, no início de novembro. O documento deve detalhar as exigências americanas, com pontos tarifários e não tarifários.

"Eu imagino que no começo do mês que vem a gente receba esse documento, possa publicizar e responder", disse o ministro. O governo brasileiro condiciona qualquer acordo à reciprocidade em setores como química, automotivo, minerais críticos e o sistema de pagamentos Pix.

"Eu espero que o Brasil jamais aceite o que foi proposto no passado, ainda que voltem a propor", declarou Márcio Elias Rosa, repetindo a posição que o governo já defendia.

A recusa sinaliza que o Brasil não vai abrir mão de pontos considerados sensíveis só para reduzir a tarifa.

Os EUA criticaram o sistema Pix e chegaram a propor uma tarifa de 25% ao Brasil ainda em junho. Em setembro, Lula e Trump mantiveram canal aberto, mas a tarifa e o Pix travaram o acordo entre os dois presidentes.

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Na semana passada, Brasil e China ficaram fora de um acordo do G20 sobre excesso de capacidade industrial, mesmo encontro citado pelo ministro como ponto de retomada do diálogo bilateral.

O efeito do tarifaço já aparece em setores concretos: a receita do setor calçadista brasileiro já caiu 16,8% desde que a tarifa entrou em vigor.

O que acontece agora

O Brasil aguarda o termo de referência dos EUA até o início de novembro. Pelo cronograma indicado pelo ministro, a próxima etapa das conversas só avança depois do 2º turno das eleições, em 25 de outubro.