Neandertais produziam uma grande variedade de armas e utensílios domésticos de madeira, segundo um estudo publicado na quarta-feira (7) na revista Science Advances. Os pesquisadores encontraram centenas de objetos em uma caverna na Catalunha, na Espanha, com idades entre 62 mil e 40 mil anos.

O sítio é o Abric Romaní, em Capellades, perto de Barcelona. A equipe, liderada por Palmira Saladié, do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social (IPHES-CERCA), documentou 597 fragmentos de madeira, dos quais 13 foram identificados como ferramentas moldadas por mãos neandertais.

Entre as peças estão postes que podem ter sustentado abrigos, possíveis bastões de cavar, duas lanças e um objeto em forma de clava, com cabo e cabeça bem definidos.

O objeto pode ter servido como arma ou ferramenta pesada. Há ainda quatro objetos de casca carbonizada que podem ter sido bandejas ou recipientes para carregar alimento ou recolher cinzas.

Durante muito tempo, cientistas acreditaram que os neandertais eram bem menos versáteis que o Homo sapiens na escolha de materiais e na diversidade de utensílios.

A teoria dizia que praticamente tudo que fabricavam era de pedra, com exceção de cabos de madeira para lanças de curta distância. Maior variedade de materiais, incluindo ossos e chifres, só teria se tornado comum com o Homo sapiens.

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Nas últimas décadas, porém, diversas pesquisas vêm derrubando esse cenário e indicando uma versatilidade tecnológica considerável dos neandertais.

A diferença pode estar menos na capacidade dos neandertais e mais na sorte da preservação: madeira se decompõe muito mais rápido que pedra ou osso.

No sítio catalão, a incrustação por travertino favoreceu a preservação da madeira, algo raro em sítios arqueológicos do período. Os vestígios foram recuperados em 16 camadas arqueológicas, com idades entre 62 mil e 40 mil anos.

A descoberta se soma a outros achados recentes que têm revisado capítulos da história evolutiva: uma pena encontrada em cocô fossilizado de dinossauro ajudou a explicar como certas aves sobreviveram à extinção em massa.

Na mesma linha, pegadas de 130 milhões de anos revelaram o maior mamífero do período Cretáceo, e um estudo com DNA mostrou que o pepino-do-mar pode viver mais de 120 anos.