A maranhense Natália Silva Melo (União Brasil), de 21 anos, foi eleita no domingo (4) a deputada estadual mais jovem do país na próxima legislatura, com apoio do ex-presidente José Sarney (MDB). A base fica em Centro Novo do Maranhão, cidade de 16 mil habitantes.

Ela recebeu 32.486 votos e venceu a primeira eleição da carreira poucos dias antes de completar 22 anos, em 18 de outubro. Foi a mais votada do município, com 4.386 votos, 47,2% dos válidos para a Assembleia.

A reportagem da Folha de S.Paulo tentou contato com a deputada eleita pela assessoria, mas não teve retorno até a publicação.

O papel de Sarney e do padrinho político

Sarney gravou um vídeo de apoio à candidata, ao lado da ex-governadora e candidata derrotada ao Senado Roseana Sarney (MDB) e do prefeito de Centro Novo do Maranhão, Júnior Garimpeiro (PSDB), padrinho político de Natália.

É a nossa candidata a deputada estadual e, sem dúvida nenhuma, vai receber do povo da região um grande apoio, de modo que ela seja uma grande representante na Assembleia Legislativa do nosso estado.

A fala é de Sarney, que está internado desde quinta (9) em São Luís, onde foi operado de urgência aos 96 anos.

Quem é o prefeito que apadrinhou a candidatura

Empresário ligado à mineração, Júnior Garimpeiro já foi preso duas vezes durante o mandato de prefeito. Em 2021, ficou quase duas semanas foragido e foi detido sob suspeita de integrar organização criminosa que desmatou mais de 60 mil hectares para garimpos ilegais.

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Em 2025, foi detido em Confresa (MT) com sacos de minério com traços de ouro, sob suspeita de extração em terra indígena. Nos dois casos, a defesa do prefeito negou irregularidades.

Em setembro, o Ministério Público do Maranhão recorreu pedindo o afastamento cautelar do prefeito, com base em ação popular sobre um pregão de 2024 para recuperação de estradas, no valor de R$ 18 milhões. A Justiça rejeitou o pedido, por falta de elementos suficientes.

O caso de Natália não é isolado: um levantamento recente mostra que 69 deputados e senadores eleitos em 2026 são réus ou investigados, e a PF prendeu 34 pessoas por compra de votos em sete ações no 1º turno deste ano.