A TSMC, maior fabricante de chips por encomenda do mundo, avalia substituir componentes de terras raras em equipamentos industriais por alternativas livres do material, segundo três fontes ouvidas pela Reuters. O objetivo é blindar a produção contra controles de exportação da China.
Ímãs de terras raras movem motores usados em máquinas de fábricas altamente automatizadas, como as da TSMC. A escassez dessas peças poderia travar a produção de chips para smartphones, inteligência artificial, centros de dados e defesa.
A TSMC consultou fornecedores sobre motores livres de terras raras para equipamentos de automação industrial.
Segundo uma das fontes, a iniciativa foi motivada por preocupações com possíveis interrupções de fornecimento vindas da China. As discussões ainda estão em estágio inicial e não resultaram, até agora, em adoção ampla de equipamentos livres do material.
A TSMC não respondeu a pedido de comentário da Reuters.
Por que a China domina os chips
A China submeteu, no ano passado, materiais de terras raras, ímãs e tecnologias de processamento a controles de exportação que exigem licença. O país controla cerca de 90% do processamento mundial de ímãs de terras raras, apesar de deter só metade das reservas globais.
Os Estados Unidos e Taiwan já haviam declarado que buscariam reduzir essa dependência.
Publicidade
O Brasil na disputa pelas terras raras
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com 21 milhões de toneladas, cerca de 25% do total global, atrás só da China.
Ainda assim, o país vende o minério como concentrado bruto, sem capacidade de refino em escala comercial.
Mineradoras estrangeiras avançam sobre o país. A americana USA Rare Earth pagou US$ 2,8 bilhões pela Serra Verde em abril, e a australiana Viridis investe US$ 360 milhões no projeto Colossus, em Poços de Caldas (MG).
Para o Brasil, dominar também o refino, e não só a extração, pode significar sair da posição de fornecedor de matéria-prima barata para virar protagonista da cadeia global de tecnologia.
Em fevereiro, Lula e o premiê indiano Narendra Modi assinaram acordo para explorar as reservas brasileiras com tecnologia de processamento indiana, incluindo componente militar para submarinos. O tema também entrou na disputa eleitoral pelo 2º turno.
O que acontece agora
A TSMC ainda não decidiu adotar equipamentos livres de terras raras em escala. No Brasil, pedidos de pesquisa mineral do material passaram de 476 entre 1975 e 2020 para mais de 3.000 só desde 2023, sinal da corrida por uma fatia da cadeia.






























