O grupo Heineken anunciou nesta quinta-feira (24) uma revisão nas metas voluntárias de sustentabilidade da empresa: promete reduzir o uso de água na fabricação de bebidas em 10,3% até 2030 em todas as fábricas do mundo, ante a meta que havia definido em 2021.

Em 2021, a companhia havia prometido consumir 2,9 hectolitros (hl) de água a cada hl de bebida produzido até 2025. A nova meta global passa a ser 2,6 hl de água por hl de produto.

Em áreas de estresse hídrico, como Itu (SP), a meta fica ainda mais rígida:

Consumo de água da Heineken por hectolitro de bebida — metas e medição, conforme dados da empresa (24/09/2026)
MomentoÁgua por hl de bebida
Meta 2021 (prazo 2025)2,9 hl
Consumo médio medido em 20243,1 hl
Nova meta global até 20302,6 hl
Meta em fábricas de estresse hídrico (ex. Itu) até 20302,4 hl

Os números mostram que a Heineken opera, na prática, acima da própria meta anterior. O consumo médio de 2024 (3,1 hl) já superava o teto fixado para 2025 (2,9 hl).

A meta de 2030 mira um patamar mais baixo, na tentativa de reverter essa distância.

"Nossa principal matéria-prima é a água. Temos o compromisso de entregar 100% de balanço nas áreas de estresse hídrico", afirma Ligia Camargo, diretora de sustentabilidade da Heineken.

"Ou seja, devolver para a natureza toda a água que a gente envasa. Essa meta é cumprida por meio de plantio de árvores", completa.

A empresa também reafirmou a meta de neutralizar as emissões de CO2 das próprias instalações até 2030, e chegar à neutralidade completa, incluindo emissões indiretas, até 2040.

"Acabamos de terminar a transição de todas as nossas fábricas no Brasil com caldeiras de biomassa. Enquanto vemos muitas empresas reduzindo ou afrouxando as suas metas de carbono, nós mantemos as nossas", diz Camargo.

Em Itu, a devolução de água à natureza passa por um projeto de reflorestamento com a SOS Mata Atlântica, ativo desde 2008 na região, parte da estratégia para reduzir o volume captado nas bacias locais.

A concorrente Ambev já opera abaixo da própria meta que a Heineken acaba de anunciar. A rival reduziu o consumo de água por litro de cerveja em mais de 55% em 20 anos, para 2,39 litros em 2024.

A queda partiu de 5,36 litros por litro de cerveja e bateu antes do prazo a meta de 2,5 litros que a Ambev havia fixado para 2025.

Mesmo revisada, a meta da Heineken para 2030 ainda deixa a empresa atrás do patamar de eficiência hídrica que a concorrente já pratica hoje.

A disputa por eficiência ambiental também aparece nos lançamentos: a AB InBev, controladora da Ambev, aposta em embalagens menores e cerveja com proteína para crescer sem multiplicar o consumo de recursos.

O que acontece agora

A meta de 2030 substitui a que valia até 2025. A Heineken não informou um cronograma de checagens intermediárias, mas mantém publicamente as metas de neutralidade de carbono para 2030 nas instalações próprias e para 2040 em toda a cadeia.