Empresários e consultores ouvidos sob reserva pela Folha avaliam que uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno facilitaria o aval dos EUA para empresas brasileiras entrarem no petróleo da Venezuela, hoje um passo obrigatório para investir no país.
O Departamento de Estado dos EUA exerce tutela sobre o regime de Delcy Rodríguez, que assumiu a Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro, em janeiro. Desde então, o país tem reaberto a economia e modificado leis do setor de óleo e gás.
Pelo menos três empresas brasileiras já entraram no setor: a holding Alvorada, a Globe, do conglomerado dos irmãos Wesley e Joesley Batista, e a Eneva, maior operadora privada de gás natural do Brasil. Outras ainda buscam formas de entrar, segundo a Folha.
Para empresários e consultores ouvidos sob reserva pela reportagem, a chegada de Flávio ao Planalto aceleraria as autorizações da equipe do secretário de Estado americano, Marco Rubio, para brasileiros entrarem no setor.
A avaliação credita isso à proximidade do senador, e de toda a família Bolsonaro, com o presidente Donald Trump.
Os mesmos consultores dizem que a diplomacia brasileira hoje, sob o governo Lula, tem pouco poder de barganha para inserir empresários no mercado venezuelano.
O que o governo brasileiro já fez na Venezuela
O Itamaraty já organizou, em junho, uma missão com cerca de 90 reuniões entre empresários brasileiros e autoridades venezuelanas, incluindo o setor de petróleo e gás. Participaram entidades como FIESP, IBP e Abimaq.
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"Essa aproximação acontece para que, quando houver retomada, os setores estejam preparados", disse Patrícia Gomes, da Abimaq, sobre o objetivo da missão. O Brasil também disputa espaço com Chevron, Repsol e Eni, que dominam a exploração estrangeira no país.
Os EUA já fecharam um acordo para receber, por cem anos, concessão de exploração de 17 campos com o empresário local Alejandro Betancourt, investigado internacionalmente por suspeita de corrupção.
O que diz a Eneva, uma das empresas já no setor
A Eneva avalia campos onshore considerados maduros e hoje desativados por falta de investimento, segundo o CEO Lino Cançado. A empresa também vê espaço para gerar energia para outros produtores que estão se instalando no país.
"A gente está olhando o onshore da Venezuela, certamente campos mais maduros que foram, digamos, desativados devido à falta de investimento", afirmou Cançado, em entrevista à CNN Brasil.
A Venezuela queima cerca de 50 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia em tochas, sem uso comercial. A Eneva fechou memorando de entendimento com a Halliburton em setembro para dar suporte a projetos no setor, mas ainda não tomou decisão de investimento.
A exploração no país é majoritariamente onshore, já que o retorno financeiro é mais rápido ali. A aprovação americana virou a etapa que hoje decide quem entra no setor, à frente até da disputa comercial entre as próprias petroleiras.
O que acontece agora
A Eneva segue sem decisão de investimento na Venezuela e mantém o Brasil como foco do negócio, segundo Cançado.
Já o ritmo das aprovações dos EUA para empresas brasileiras, dizem os empresários ouvidos pela Folha, tende a mudar conforme o resultado do 2º turno, em 25 de outubro.































