O dólar teve, nesta segunda-feira (26/10), a maior alta diária desde 1999: subiu 8,21%, a R$ 5,40. O Ibovespa caiu 13,88%, pior resultado desde março de 2020, e acionou o circuit breaker pela primeira vez desde a pandemia, após a reeleição de Lula.
Nesta terça (27/10), os mercados corrigem parte do movimento. Por volta das 9h35, o dólar recuava 1,09%, a R$ 5,351, e os juros futuros também caíam em bloco.
O resultado de domingo foi surpreendente. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva reverteu o resultado do primeiro turno. Embora as pesquisas para o segundo turno indicassem uma disputa acirrada, os investidores precificavam uma vitória de Bolsonaro.
A avaliação é de Thomas Haugaard, gerente de portfólio da gestora Janus Henderson. Para ele, o resultado expôs uma assimetria: a aposta na vitória de Flávio já estava precificada pelo mercado, enquanto o risco de uma vitória de Lula não estava.
A economista Carla Beni, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), lembra que o mercado viveu uma "lua de mel muito rápida" com o resultado do primeiro turno, quando o Ibovespa bateu recorde de mais de 209 mil pontos.
"Isso foi se intensificando durante todo esse período e as apostas em cima das pesquisas estão muito no reflexo hoje do mercado financeiro, do circuit breaker, porque houve uma ruptura dessas pesquisas", diz Beni.
O susto no mercado apareceu em vários indicadores ao mesmo tempo, não só no câmbio e na Bolsa. O risco-Brasil, indicador que mede a percepção de risco dos investidores, fechou em alta de 19,15% na segunda, depois de disparar 27% na abertura do pregão.
Os juros futuros também dispararam: a taxa do contrato de DI para janeiro de 2031 avançou 254 pontos-base, para 15,190%, na segunda-feira.
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O movimento inverteu o otimismo das semanas anteriores. Entre os dois turnos, com o mercado apostando numa virada de Flávio, o Ibovespa subiu 6,9% e o dólar caiu 4,4%.
Na véspera do 2º turno, o dólar havia fechado abaixo de R$ 5. Já no 1º turno, quando Flávio surpreendeu ao liderar a apuração, o dólar também tinha caído abaixo de R$ 5.
Antes do resultado, bancos já projetavam que o dólar pós-eleição poderia variar entre R$ 4,90 e R$ 5,80, dependendo de quem vencesse.
O ponto em aberto
O susto de segunda-feira expôs que o mercado vinha, de fato, apostando num resultado diferente do que saiu nas urnas.
Fica em aberto se o episódio muda a forma como investidores precificam risco eleitoral daqui para frente, ou se foi um susto isolado que a correção desta terça já começa a apagar.
O que acontece agora
Investidores aguardam sinalização do governo sobre a política econômica do quarto mandato, sobretudo o nome do próximo ministro da Fazenda. No exterior, a decisão de juros do Federal Reserve, nos Estados Unidos, está prevista para quarta-feira (28/10).































