A Anheuser-Busch InBev vai vender embalagens menores e cervejas sem álcool com proteína ou eletrólitos, além de ampliar a atuação em bebidas fora da cerveja. O anúncio foi feito por executivos nesta terça-feira (22), em evento do mercado de capitais em Londres, segundo a Reuters.

A meta é reverter a queda no consumo de cerveja em mercados como os Estados Unidos. A maior cervejaria do mundo em valor de mercado enfrenta dificuldade para ampliar o volume de vendas.

Segundo os executivos, o motivo é o orçamento apertado ou a mudança de preferência.

Marcel Marcondes, diretor de marketing da AB InBev, disse que um dos objetivos é aumentar o consumo entre pessoas que bebem cerveja com pouca frequência. Para ele, consumidores atentos ao orçamento representam a oportunidade mais significativa dentro desse grupo.

"Os dados mostram enormes oportunidades para tornar a cerveja mais acessível, especialmente nos mercados em desenvolvimento", afirmou Marcondes. Ele acrescentou que a empresa vai ampliar embalagens menores e também maiores, com mais quantidade por um preço menor.

Aumentar o consumo de cerveja sem álcool em refeições informais é outra aposta da companhia. Marcondes disse que a AB InBev vai impulsionar esse movimento com cervejas sem álcool de sabores variados, poucas calorias e, em alguns casos, proteína ou eletrólitos.

A cerveja com proteína que já é vendida no Brasil

A aposta em cerveja funcional não é só promessa. A Ambev, controlada da AB InBev, já vende a Spaten Pro no país desde 22 de agosto, segundo o Infomoney.

A Spaten Pro é uma cerveja escura sem álcool, com 10 gramas de proteína por lata de 350ml — 75% de whey protein hidrolisado e 25% de colágeno hidrolisado.

A venda começou pelo aplicativo Zé Delivery, em São Paulo e no Rio, a R$ 12,90 a lata. O produto foi desenvolvido no Centro de Inovação e Tecnologia da Ambev, no Rio, em processo que levou cinco anos e testou mais de cem protótipos.

A escolha do Brasil como vitrine do produto não é acaso. Tanto Marcondes quanto o CEO da AB InBev, Michel Doukeris, são brasileiros, e a Ambev é a maior cervejaria do país.

Energéticos e coquetéis prontos entram no radar

Nos Estados Unidos, a AB InBev já avança em categorias além da cerveja. A Cutwater, marca líder em vendas de coquetéis enlatados no país, é um dos exemplos citados pelos executivos.

A empresa também vem investindo em bebidas energéticas. Segundo os executivos, essa categoria pode acrescentar sozinha US$ 25 bilhões ao mercado potencial da AB InBev. "Nesse segmento, somos os desafiantes, o que nos dá um enorme espaço para crescer", disse o CEO Michel Doukeris.

A Heineken segue direção parecida no Brasil. O grupo informou que lançou a plataforma +Equilíbrio, com bebidas sem álcool, sem glúten e funcionais, como a Mamba Protein, com 20g de proteína e zero açúcar.

Segundo a fabricante, o portfólio de escolhas equilibradas teve alta de dois dígitos no primeiro semestre de 2026.

O que acontece agora

A estreia da Spaten Pro segue restrita a São Paulo e ao Rio de Janeiro, com produção concentrada em uma única cervejaria, em Ribeirão Preto.

Segundo levantamento do setor, o Brasil é hoje o terceiro maior mercado de cerveja do mundo em volume, com cerca de 14,9 bilhões de litros por ano, e deve ter a maior taxa de crescimento do setor no mundo até 2028, segundo a consultoria IWSR.