A Eneva avalia investir em campos de petróleo e gás onshore na Venezuela, com foco em ativos maduros desativados por falta de investimento, disse o CEO Lino Cançado nesta terça-feira (20). A empresa brasileira também vê espaço para gerar energia para outras produtoras no país.

Ainda não há decisão de investimento.

"A gente está olhando o onshore da Venezuela, certamente campos mais maduros que foram, digamos, desativados devido à falta de investimento", disse o executivo, em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN.

Cançado descartou operações no mar e no lago Maracaibo. Segundo ele, a Eneva não atua no segmento marítimo, e as operações no lago envolvem maior complexidade logística e exigem equipamentos flutuantes.

A empresa também considera, em menor proporção, campos greenfield, ainda não desenvolvidos.

Boa parte do gás que a Venezuela produz hoje simplesmente se perde no ar, sem nenhum aproveitamento comercial. É esse volume que a Eneva mira transformar em energia para vender a outras produtoras do setor.

Por que a Venezuela agora

O interesse de empresas estrangeiras no setor de petróleo e gás da Venezuela cresceu depois que os Estados Unidos invadiram o país e prenderam o ditador Nicolás Maduro.

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Em setembro, a Halliburton assinou um memorando de entendimentos com a Eneva para apoiar projetos de petróleo e gás no país.

Não é a primeira movimentação da empresa na região. A Eneva já havia sinalizado interesse no petróleo venezuelano logo após a captura de Maduro, e, dias depois, chegou a avançar conversas sobre negócios de gás no país.

A cautela já vem de antes. Desde fevereiro, a Eneva mantinha conversas preliminares com a gestora Maha Capital para uma eventual joint venture que desse acesso a campos operados pela estatal PDVSA.

O negócio não avançou. A segurança jurídica no país seguia sendo o principal entrave.

O que o mercado vê na aposta

Casas de análise mantêm recomendação de compra para a ação da Eneva (ENEV3). O JPMorgan elevou o preço-alvo a R$ 36, com potencial de alta superior a 35%; o BB-BI projeta R$ 35 até o fim de 2027.

O risco apontado não é político, mas operacional: a tese depende de a empresa entregar novos projetos de geração e gás dentro do prazo e do orçamento. Atraso ou estouro de custo pode frustrar o mercado.

Por isso, Cançado foi claro sobre o limite do apetite da companhia: qualquer entrada na Venezuela precisa caber no orçamento já planejado, sem mudar o plano de negócios.

O que acontece agora

Não há decisão de investimento tomada, e o Brasil segue como prioridade da Eneva. A empresa foca a execução dos projetos já em andamento e a preparação para os próximos leilões de capacidade de energia.

Qualquer avanço concreto na Venezuela depende de a companhia encontrar ativos compatíveis com o próprio caixa.