A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quarta-feira (28) a resolução anual contra o embargo dos Estados Unidos a Cuba, pela 34ª vez consecutiva, em meio a um confronto diplomático. O texto recebeu 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções.
O resultado é inferior ao de 2025, quando a resolução teve 165 votos favoráveis, sete contrários e 12 abstenções.
O debate, iniciado na terça-feira (27), teve um confronto direto entre o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, e o chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, depois que a delegação cubana tentou interromper a fala do americano.
"Esse indivíduo precisa se afastar desta tribuna. Ele não vai me intimidar nos Estados Unidos da América", disse Waltz, segundo o jornal Valor Econômico.
Rodríguez rebateu nas redes sociais, lembrando que o episódio ocorreu na sede da ONU, em Nova York, e não em uma reunião de segurança nacional na Casa Branca.
O chanceler cubano já havia acusado Washington de ameaçar países-membros com sanções caso votassem a favor do fim do embargo.
A votação é simbólica desde a primeira edição, em 1992, quando teve apenas 59 votos a favor, três contrários e 71 abstenções. A partir de 2005, o apoio passou a superar 180 votos todos os anos, até a queda registrada nesta quarta.
Alemanha, Itália e Letônia se abstiveram pela primeira vez em 34 anos, segundo o Valor. O resultado reflete uma campanha do governo Trump para reduzir o apoio à resolução.
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Os países que mudaram de posição têm em comum governos alinhados a Washington, enquanto a base histórica de apoio ao fim do embargo segue praticamente intacta.
Na América Latina, votaram contra a resolução Argentina, Colômbia, Paraguai, Equador e Costa Rica, todos com governos aliados do presidente americano. Chile, República Dominicana, Honduras e Peru se abstiveram.
Já México, Uruguai, Nicarágua, Panamá e o Brasil mantiveram o apoio ao texto.
O Brasil votou a favor do fim do embargo em quase todos os anos desde 1992. A exceção ocorreu em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Naquele ano, o país votou contra a resolução pela primeira e única vez na série histórica, segundo a Folha de S.Paulo.
O que acontece agora
A aprovação não altera o embargo. Por ser uma resolução da Assembleia Geral, ela não tem caráter juridicamente vinculante: o fim definitivo da medida só pode ser decidido pelo Congresso dos Estados Unidos.
O voto acontece em meio ao agravamento da crise de energia em Cuba, que levou o transporte público da ilha a um mínimo histórico.
A votação já era aguardada desde que Cuba passou a enfrentar uma ofensiva diplomática dos EUA na ONU nos dias anteriores ao debate.
O colapso do transporte público cubano é outro sinal da crise que atravessa a ilha. A resolução se repete todos os anos desde 1992, geralmente em outubro ou novembro.































