O Federal Reserve decide nesta quarta-feira (28) se mantém os juros dos Estados Unidos entre 3,75% e 4%, com o mercado apostando em pausa. A decisão interessa ao Brasil porque reduz o espaço do Banco Central para seguir cortando a Selic, hoje em 13,5%.
Para Vinicius Flores, da Stratton Capital, a pausa é um movimento estratégico, dado o calendário eleitoral americano de meio de mandato. Ele lembra que o indicador GDPNow aponta crescimento de 3,6% do PIB dos Estados Unidos no terceiro trimestre.
Já Ariane Benedito, economista-chefe da PicPay, vê a economia americana resiliente, mas alerta para o risco inverso. A nova elevação, segundo ela, poderia aumentar o risco de aperto excessivo, especialmente porque parte da pressão está associada a choques de oferta.
O banco Goldman Sachs tem leitura parecida. A instituição espera que o Fed se comprometa com altas a cada duas reuniões, pulando outubro para entregar o próximo aumento em dezembro.
O que isso muda para o Brasil?
A conta que muda é o diferencial de juros. A Selic está em 13,5% ao ano, contra juros americanos entre 3,75% e 4%. A distância entre as duas, de cerca de 10 pontos percentuais, é o que define quanto vale manter dinheiro em reais.
André Matos, da MA7 Capital, diz que a pausa do Fed chega "no pior momento". O dólar subiu mais de 8% desde a eleição de domingo (25).
Vitor Kayo, da Nomad, resume o mecanismo. Se o Fed endurecer e o real perder força, o Banco Central tem menos espaço para cortar a Selic.
Publicidade
Quanto mais caro for para o Brasil competir por dólar, mais difícil fica baratear o crédito para quem toma empréstimo aqui dentro.
O governo também tenta segurar o lado fiscal. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, prometeu nesta terça (27) uma lei para garantir o centro da meta fiscal de 2027.
"Vamos buscar o centro da meta, também de maneira formal", disse Durigan, citando um projeto de lei complementar. A meta é superávit de 0,50% do PIB, ou R$ 73,2 bilhões, com tolerância de R$ 36,6 bilhões para menos.
O Copom, que decide a Selic no Brasil, já vinha sob pressão parecida nas semanas que antecederam a decisão de outubro.
Não é a primeira vez que as duas políticas monetárias colidem. Em setembro, o Fed já havia sinalizado mais juros e reduzido a vantagem da Selic brasileira.
O ponto em aberto
A distância de 10 pontos percentuais entre Selic e juros americanos mantém o real atrativo para capital estrangeiro. Com o dólar mais caro e o petróleo pressionando preços, o espaço do Banco Central para cortar juros fica mais estreito do que há um mês.































