As bolsas europeias fecharam em queda nesta quinta-feira (22), pressionadas pela alta do petróleo e pelo temor com os investimentos em inteligência artificial. O Stoxx 600 recuou 1,01%, com o Brent perto de US$ 112, maior preço em cinco meses.

Os dados são do Valor Econômico e da CNN Brasil.

De acordo com a CNN Brasil, o DAX, de Frankfurt, caiu 1,04%, a 25.379,49 pontos, e o CAC 40, de Paris, perdeu 1,39%, a 7.811,26 pontos. O FTSE 100, de Londres, recuou 0,26%, a 10.725,03 pontos.

As perdas foram maiores no sul da Europa: o FTSE MIB, de Milão, tombou 2,54%, e o Ibex 35, de Madri, caiu 1,84%.

O recuo tem origem no mesmo nervosismo que já pressionava os mercados americano e asiático: a dúvida sobre o retorno dos pesados investimentos em inteligência artificial.

A holandesa ASML, maior fabricante de equipamentos para semicondutores do mundo, caiu 4,5%, e a concorrente menor ASM International recuou 6,6%.

O gatilho, segundo o Valor Econômico, foi a frustração do mercado com os balanços trimestrais da Meta e da Tesla. As duas empresas superaram as estimativas de lucro, mas não sustentaram a recuperação vista após os números da SpaceX.

A Tesla reduziu a meta de investimento (capex) para 2026, o que acentuou a instabilidade no setor de tecnologia.

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"É preciso superar as projeções de forma extraordinária" para que as ações tenham bom desempenho, afirma a gestora britânica Quilter Cheviot, citada pela CNN Brasil, sobre o ambiente "desafiador" criado pelas expectativas elevadas para o trimestre das empresas de inteligência artificial.

A alta do petróleo tem origem na escalada no Oriente Médio. O Irã atingiu sete petroleiros no Estreito de Ormuz, enquanto os houthis do Iêmen fizeram quatro operações militares contra alvos sauditas, entre elas um ataque a uma refinaria da Aramco.

O Valor Econômico, citando o New York Times, informa que os Estados Unidos e Israel planejam novos ataques ao Irã após as eleições de meio de mandato americanas, previstas para novembro.

A dinâmica dos juros também pesou. A taxa do título soberano francês de 10 anos subiu a 5,10%, depois de já ter atingido o maior nível desde 2002 no pregão anterior.

Os rendimentos dos papéis alemães e britânicos do mesmo vencimento caíram no período, ampliando a diferença com a França.

O Barclays caiu quase 2% depois de registrar lucro e receita abaixo do esperado. Segundo a CNN Brasil, o banco informou, em teleconferência, que vai cortar 5.000 postos de trabalho para reduzir custos à medida que adota inteligência artificial em larga escala.

O grupo francês de luxo Hermès caiu 4,9% após o balanço.

O que isso significa para o bolso do brasileiro?

Com o Brent perto de US$ 112 por barril, o maior preço em cinco meses, o custo dos combustíveis no Brasil volta a subir. O petróleo mais caro pressiona direto a conta da Petrobras e o preço na bomba.

A estatal já está perto do teto do subsídio que usa para conter o repasse da alta do diesel. Soma-se a isso a aversão ao risco global, que tende a empurrar capital para fora de mercados emergentes como o Brasil, pressionando o real.

O que acontece agora

A temporada de balanços na Europa segue nas próximas semanas, com mais bancos e empresas de tecnologia detalhando o impacto dos gastos em inteligência artificial. O mercado também acompanha se as tensões no Estreito de Ormuz se agravam.